Shadow Shadow | “Riviera”

Shadow Shadow | “Riviera”

Quebra-se o gelo por detrás das sombras

Sem sombra de dúvida que a música é uma linguagem universal e munida de grande sentimento, seja de que género for. A mesma pode ajudar na construção de identidades e dar vida a novos projectos. “Um dia, a canção «Little Shadow» dos Yeah Yeah Yeahs chegou até mim e a partir daí a ideia ficou semeada no meu inconsciente” – conta-nos Mattias Friberg, criador e mentor do grupo Shadow Shadow.

O som criado por Mattias vem de terras de Norte da Europa, mais concretamente da Suécia, onde o frio é algo recorrente. Mas a sua música até emite vibrações quentes, dançáveis e sensuais q.b.

O seu primeiro disco, intitulado «Riviera», foi composto entre 2009 e 2012 e passou a ser uma realidade física no passado dia 4 de Março. A Shadow Shadow pode atribuir-se algum misticismo, particularidade presente no seu disco em que a pop e a electrónica se cruzam sem sublinharem justaposições. Em «Riviera» há beleza, mas também algo de obscuro nas nove faixas que o compõe.

“Quando comecei a criar este disco não tinha ideia de que tipo de registo é que ia seguir. Acho que deixei que fosse o projecto a guiar-me em vez de ser o contrário, assumindo uma identidade própria. Isto aconteceu durante muito tempo. Até que o começámos a masterizar e foi aí que comecei a ter a certeza do que estava a fazer e comecei a arrumar as canções”, explica-nos Mattias Friberg, que contou com a colaboração de oito artistas no que diz respeito à interpretação e gravação do disco.

“A minha inspiração para este disco deriva de um poeta do século XIX e de um escritor de ficção científica do século XX. O estilo de música pop electrónico já existe há várias décadas, mas eu não tenho qualquer ligação em relação à história da música. Quando não estou a fazer música gosto de estar tranquilo pois, para mim, o silêncio é o melhor”, diz-nos.

Em todo o caso, Shadow Shadow apresenta vários duetos e uma polifonia em alguns casos dessincronizada, mas que acaba por resultar muito bem. Deste álbum resultam os singles «Riviera» e «1000001», cujo último tema, em dueto com Kicki Halmos, apresenta-nos os sinónimos de fragilidade e vulnerabilidade quando nos dirigimos a alguém. Outro destaque vai para «A Thousand Lost Golf Balls», uma das canções que rapidamente fica no ouvido e onde escutamos as frases que podem muito bem definir todo o disco: “Somewhere in the debris maybe there’s a dream. Somewhere in the dark maybe there’s a heart”.

Mattias Friberg pertence ao colectivo artístico de Estocolmo – INGRID – do qual se destacam outros artistas suecos, tal como Lykke Li, o que só por si já lhe dá algum mérito e aceitação por parte da crítica especializada. Por aqui aguardamos que nos faça uma visita para que a imagem dele passe a realidade e não seja só uma sombra ou uma ilusão no universo por si criado.

Basta um salão, uma bola de espelhos e vestirmo-nos à anos 90 que a música acaba por nos teletransportar para um cenário outrora romântico, outrora dissipado pela natureza. “Riviera” torna-se assim uma das grandes surpresas deste trimestre.



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