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Silvana Estrada + Sofi Paez @ LAV (21.05.2026)

Canções que nos deixam os olhos humedecidos

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Texto por Miguel Barba e fotografia por Alice Neutel.

Sofi Paez, Costa-riquenha baseada em Berlim, e primeiro elemento do catálogo da OPIA Community, editora do islandês e mui amado Ólafur Arnalds, toma o seu lugar em frente ao piano que, complementado por suaves e delicados adornos electrónicos nos irão embevecer durante os próximos 30 minutos.

As composições de Paez têm uma faceta humana e comovente, sem deixar temas complexos como o luto ou a Diáspora, sempre num registo íntimo e contido, mas manifestamente bonito.

O clássico mescla-se com o moderno, na abordagem, tal como uma postura descontraída se desvanece quando se chega à ponta dos dedos, responsáveis por empurrar de forma precisa cada tecla, ora com ansiedade, ora com delicadeza, ora com um efémero sussurro. Canções que, pelas palavras da própria nos convidam a sonhar acordado.

«Por qué» a fechar, uma canção com um significado especial  para a própria.

Pese embora a curta carreira, Silvana Estrada transmite uma presença  de quem já cá está há muito tempo. É reconfortante. Primeiro o sorriso com que nos encara, em segundo a voz, doce, capaz de nos deixar inebriados, em terceiro pelo vistoso mas sóbrio vestido vermelho que nos fixa ainda mais o olhar.

Começamos o caminho ao com de «Brindo», apenas com a pequena guitarra acústica, mas eis que «Dime» surge de rompante, capaz de desarmar qualquer um. Canção enorme, cantada de peito cheio e sorriso no rosto, em palco e entre o público.

As nossas vozes ajudam a projectar «Los Dias». Sem medo de assumir o controlo, Estrada chega-se à frente e dá tudo de si. Nós retribuímos como podemos e o silêncio que tantas vezes se faz sentir é prova palpável disso mesmo. É tão bonito isto.

Entretanto chegamos a uma cantina a uma cantina, à espera de alguém que não chega e que parece que não vai chegar… É «Good Luck, Good Night» e Silvana a explanar toda a sua voz . O drama contínua, agora com a guitarra acústica e «Flores».

«Como Un Pájaro» versa sobre um amor que chega ao fim, a solidão que se segue e como é possível aprender com isso. Bela e arrepiante no melhor dos sentidos.

O dia de los muertos é o favorito de Silvana Estrada que diz, com humor, que estes têm demasiado tempo livre e que por essa razão nos deveriam visitar mais vezes, antes de cantar «Un rayo de luz», uma canção aberta e comunitária para quem amamos e perdemos.

As canções sucedem-se, uma após outra, entre sorrisos e tristeza. Muitas vezes a tristeza é plural, mas é mais fácil de lidar quando a escrevemos no singular. «Te Guardo» arranca-nos um sorriso, porque descobrir o amor é sempre magnífico. Somos felizes a escutar estas canções mesmo que que a base seja triste.

Já durante o encore chega-nos «Aguacero de mayo», uma homenagem a Totó la Momposina, colombiana que dedicou a sua carreira à preservação e difusão dos ritmos afro-colombianos e indígenas do Caribe do seu país. Antes de se fechar um concerto magnífico, Estrada oferece-nos ainda a interpretação de «Ténias que ser tú», sobre um amor inevitável, incontornável, mesmo que nos desafie. No fim, «El alma mía», é cantada sem amplificação e, mesmo assim, inunda a Sala 2 do LAV.

Podemos não ser melhores pessoas do que éramos antes do concerto começar, mas somos certamente mais felizes, depois do concerto terminar.



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