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Super Clarks

"Há quem acredite que ganhamos super-poderes quando tocamos ao vivo"

Os Super Clarks são João Diogo, João Isaac, Joel Lucas e Tiago Amaro.

A sua história tem início em Fevereiro de 2010. Até aí, apenas Joel Lucas – que, para além de cantar, também toca guitarra –  e João Diogo – que, para além de cantar, também toca baixo – tinham tocado juntos nalgumas bandas. É então nessa altura que Tiago Amaro – que, para além de cantar, também toca guitarra – e João  Isaac – que, para além de cantar, também toca bateria – surgem e os Super Clarks nascem.

Como em muitas outras coisas da vida, arranjar um nome pode não ser a tarefa mais fácil. Joel Lucas começa por explicar que “tem que ser um nome que todos os elementos da banda gostem e que sintam que de alguma maneira se relacione com a música que fazem”. Faz sentido. E acrescenta que o “nome acaba por resultar de um brainstorm, ideia do João Diogo”. A referência ao Clark Kent/Super Homem é evidente. “Há claramente um paralelismo com o Clark Kent, na medida em que também nós temos uma identidade secreta no nosso dia-a-dia, onde somos jovens iguais a todos os outros. Não somos Super Homens, somos apenas quatro moços que se juntam para fazer algo que naturalmente nos é intrínseco. Há quem acredite que ganhamos super-poderes quando tocamos ao vivo. (risos)”.

À imagem de muitas bandas nacionais, os Super Clarks fazem questão de destacar a filosia DIY (do it yourself) no seu trabalho. Ao questioná-los sobre a forma como encaram o DIY, se como uma necessidade ou uma vontade, são bastante peremptórios e claros na sua resposta. “Em Portugal há muito a cultura de que o que vem de fora é que é bom. Felizmente ao longo do tempo as pessoas têm vindo a mudar e cada vez se ouve mais música nacional. Isto acaba por ser fruto do aparecimento de novos projectos com bastante qualidade. Infelizmente, o aumento do investimento na indústria musical não tem acompanhado o crescimento da qualidade dos projectos. As bandas acabam por arregaçar as mangas e fazer as coisas pelos seus próprios meios. Do nosso ponto de vista é algo positivo pois temos total liberdade criativa, fazemos como queremos e quando queremos. Acaba por ser um trabalho mais exigente para os artistas mas também muito mais recompensador”.

Já tive, por algumas vezes, oportunidade de escrever por aqui que não me dou bem com rótulos nem a rotular bandas, no que diz respeito ao género de música que tocam. Os Super Clarks tendem a afinar pelo mesmo diapasão: “Hoje em dia surgem bandas novas de todos os géneros e feitios e há sempre a necessidade de rotular. Nós queremos fugir um pouco a isso e deixar a música falar por si. Obviamente que temos influências de certas sonoridades, mas queremos fugir aos rótulos e deixar as pessoas decidirem por si”. No que diz respeito a influências, os Super Clarks também não se coíbem de enumerar influências e gostos: “Torna-se impossível fazer uma lista de todos eles, mas gostamos do trabalho de bandas como Foals ou Tame Impala, por exemplo. Não tentamos fazer música igual à que eles fazem, porque isso é impossível (somos pessoas diferentes), mas são bandas que nos inspiram e nos dão pica para ir para o estúdio trabalhar.” Mas o espectro musical de influências vai um pouco mais além com o “jazz, o samba, o punk ou o blues, grandes bandas consagradas. Basicamente aquilo que temos vindo a ouvir desde a nossa adolescência até agora. Tudo de certo modo acaba por nos influenciar.”

Os Super Clarks lançaram recentemente a primeira demo, disponível para download gratuito no Bandcamp, que conta com quatro temas, sendo que os temas «interested, Not» e «Sideways by Ways» foram gravadas com a colaboração de alunos da Restart. Adicionalmente, os Super Clarks contaram também com a ajuda de Francisco Rebelo dos Orelha Negra. A oportunidade surgiu de forma normal, como os Super Clarks nos contam: “O Francisco Rebelo é formador na Restart – Instituto de Criatividade, Arte e Novas Tecnologias, onde gravámos duas faixas da demo. As faixas foram capturadas, misturadas e masterizadas por Henrique Albuquerque e Rui Pereira, alunos do Francisco Rebelo. Pudemos contar com a presença dele em estúdio e ajudou-nos em alguns pormenores técnicos. Foi para nós uma experiência muito enriquecedora”.

A pergunta que deve ser feita de seguida torna-se óbvia. Para quando o álbum de estreia? A banda confirma que existem planos para isso mas acrescentam que “temos em mente lançar antes um EP, talvez num estúdio mais a sério, com mais tempo. Sabemos que isso é caro e estamos a trabalhar para isso”.

Uma vertente importantíssima na edição de um álbum, EP ou o que quer que seja é a plataforma de distribuição. Para distribuir a sua primeira demo, os Super Clarks optaram pelo Bandcamp, como já foi dito anteriormente: “Conhecemos o Bandcamp através de uma banda amiga e achámos uma ferramenta interessante para lançarmos a demo. O que nos atraiu foi a sua simplicidade, fugindo a toda as publicidades corporais que ferramentas de maior dimensão abraçam. As pessoas vão à página no Bandcamp para efectivamente ouvir a música, e isso agrada-nos. Sem dúvida que o voltaremos a utilizar”.

O próximo concerto dos Super Clarks irá ter lugar no FMI (Festival de Música Independente), em Braga. O FMI é uma proposta bastante interessante e válida no panorama dos festivais em Portugal. Perguntámos aos Super Clarks qual a opinião da banda relativamente ao festival e quais as suas expectativas. “As bandas emergentes normalmente têm bastante dificuldade em expor o seu trabalho ao vivo. Iniciativas como o FMI permitem às bandas tocarem perante plateias maiores e mostrar o seu trabalho a um maior número de pessoas. Temos que destacar o espírito empreendedor da Rosavelho ao organizar o FMI, pois leva algumas das bandas emergentes, bem como outras já conhecidas, ao encontro do grande público. Nós estamos bastante ansiosos, vai ser um fim-de-semana de arromba com muita música boa”. Por isso já sabem, se estiverem pela zona de Braga no fim-de-semana de 15,16 e 17 de Setembro, aproveitem para espreitar os Super Clarks e as restantes bandas que por lá vão estar a tocar.



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