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Syndrome | Análise

Mesmo a tempo do Halloween!

Mesmo a tempo do Halloween, um ano após o seu lançamento para o PC, Syndrome – o survival-horror a cargo do estúdio independente Camel 101 – chega às consolas PS4 e Xbox One. Inspirado noutros jogos do género, como Alien Isolation e Deadspace, não é de admirar que tenha sido muito bem recebido pelos que o jogaram. Jogadores esses que apesar de terem evidenciado algumas questões técnicas com as quais se tivessem deparado nunca deixaram de dar o devido destaque ao impressionante trabalho de som e a todo o ambiente desconcertante que acompanham toda a narrativa. Vamos ver como se porta na PS4?

“No espaço, ninguém te consegue ouvir gritar”, se ao menos esse lema também se aplicasse aqui em casa… Ao explorar os vários conveses da Valkenburg, não houve um único momento em que não tivesse os nervos em franja. De modo a prestar uma experiência à altura das expectativas, no que toca ao género de Terror, os cenários, a iluminação e o som têm de estar em perfeita sintonia e Syndrome não desaponta. Sons de objectos a cair, ou de algo a deslocar-se rapidamente de um local para o outro, por trás de mim, deixaram-me sempre com os nervos à flor da pele. Já a iluminação de algumas das secções parcialmente destruídas da nave, fez-me várias vezes respirar bem fundo antes de dar mais um passo. Além disso, não tardou até que começasse a encontrar alguns membros da tripulação, ora suspensos no ar, ou completamente mutilados, até mesmo simplesmente prostrados no chão o que só me deu mais vontade de desvendar todo este mistério. Os produtores fizeram um belo trabalho, ainda por cima se considerarmos que esta é a sua primeira abordagem ao género!

Só que, para tudo o que faz bem, Syndrome não deixa de se fazer acompanhar por alguns senãos. O mais evidente é a repetição que não tarda a instalar-se. Quanto mais progredimos, mais os nossos objectivos parecem fazer parte de uma enorme Fetch Quest mas o pior é que este andar de trás para a frente, enquanto subimos e descemos de convés, nos obriga a passar imensas vezes pelos mesmos cenários. Isto convida ao hábito de repetirmos secções (sobretudo algumas em que por vezes podemos ficar presos em texturas) e quem é fã do género sabe que quando o hábito se instala, está lançado o convite para a monotonia. Felizmente que a história tem algumas reviravoltas bem pertinentes, sobretudo lá para o final e que prendem bem a nossa atenção, pelo que não achei difícil contornar este factor.

Apesar de pedir emprestado algum do enredo de Deadspace, Syndrome oferece uma jogabilidade muito semelhante à de Alien Isolation. Por isso não pensem em andar por aí aos tiros a tudo o que mexe! Ao longo da nossa aventura vamos dar de caras com vários tipos de inimigos, cada um mais grotesco do que o outro. Temos armas para nos defendermos, sim, mas as munições são escassas e o barulho pode levar a que chamemos a atenção de ainda mais inimigos o que não é nada bom para a saúde (mental e) física de Galen. O melhor é guardá-las apenas para momentos chave. Ao nosso dispor teremos também uma arma melee com a qual nos podemos defender e atacar mas… no que toca ao combate mais directo, Syndrome fica algo aquém das expectativas.

Syndrome convida-nos a uma acção mais furtiva, evitando confrontos o máximo possível e foi assim que melhor desfrutei deste título. Jogar ao gato e ao rato com estas criaturas, agachando-me e deslocando-me sorrateiramente pelo cenário, atirando, aqui e ali, objectos para distrair a sua atenção levou-me a momentos extremamente intensos. O pobre Galen, coitado, acompanhava cada momento, ora suspirando de susto ora com uma respiração cada vez mais acelerada. Isto só ajudou a conferir um maior realismo e foi para mim a cereja no topo do bolo, nestes momentos! Curiosamente, sempre que dei com um save point (não existem auto saves) quem suspirou fui eu… mas de alívio!

Ainda que convide a alguma repetição é inegável que Syndrome não deixa de proporcionar uma experiência digna do género Survival-Horror. Com uma ambiência capaz de colocar os nervos em franja até ao mais veterano dos engenheiros espaciais (estou a piscar-te o olho Isaac), os fãs do género que estão ainda a compor a sua lista de jogos para o Halloween, talvez queiram dar um passeio pela “Valkenburg.” Garanto que é de morrer!



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