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The Criterion Collection

O Cinema Como Deve Ser.

Fazer boicote às salas de cinema neste Natal é uma boa proposta, evitando o cheiro das pipocas e as enchentes, os blockbusters desgraçados e os centros comerciais, numa era em que o televisor da sala é gigante e o DVD é rei. Puro prazer egoísta para ser partilhado, eis a sugestão para um Inverno com os filmes obrigatórios em edições de luxo.

A Criterion Collection dedica-se há 25 anos a lançar as melhores versões digitais dos melhores filmes de culto cuidadosamente seleccionados em edições de luxo, restauradas utilizando os melhores processos para garantir uma cópia tão perfeita quanto possível – no fundo, a versão oficial do realizador.

A Criterion trabalha de perto com os realizadores e produtores dos filmes para garantir que tudo seja perfeito. Obter as licenças devidas, os melhores extras e conteúdos originais, as melhores cópias em 35mm e toda a informação possível em edições de culto apenas disponíveis (infelizmente) aos mais abonados. A Criterion é sediada nos Estados Unidos por isso todos os DVDs são Região 1.

O que pode parecer um problema é uma benção para muitos. Mais que fazer olho na estante da sala ou deixar os amigos cinéfilos babados de inveja, ter as edições da Criterion é sinal de que se vai ver Cinema, e não apenas “ver um filme”. Esqueçam os computadores portáteis, leitores DVD de bolso, iPods ou Playstations, a experiência de ver um filme no sofá bebendo um bom tinto na melhor companhia vale os cerca de 20 a 50 euros mínimos que se pode pagar por cada uma destas edições. É como um investimento de vida. Para quem não vive sem um bom filme, esta é, provavelmente, a única opção possível para ser Rei do Home Cinema.

Criada em 1984 como uma pareceria entre a Janus Films e a Voyager Company, a Criterion começa por lançar edições em laserdisc em exclusivo para o mercado Norte Americano. Em 98 acabam com o laserdisc e passam a editar no mais compacto e económico DVD (e Blu-Ray). Em 2008 passam também a lançar títulos em Video-On-Demand, que podem ser vistos online.

Foi a Criterion quem começou a moda dos extras nos DVDs e os comentários audio em cenas específicas (King Kong foi o primeiro filme editado a utilizar este extra, em 1984), e foram os pioneiros em editar os filmes no seu tamanho real, com o aspect ratio original, usando o conveniente letterboxing. O letterboxing é a forma adequada de apresentar o formato widescreen, adaptado para as televisões, o vulgar enquadramento a preto no topo e fundo do écran, onde o filme se encontra centrado. É como ter o cinema dentro do nosso televisor, no seu formato original. Ter um DVD Criterion é como ter a cópia privada do realizador.

Na altura das velhas televisões quadradas (o aspecto 4:3), era frequente os filmes em VHS ou transmitidos pela televisão serem expandidos de forma a ocupar o écran inteiro, perdendo cerca de 30% do filme tal qual ele foi fotografado. Mesmo para quem não é um puro cinéfilo, ter o filme cortado é perder a sua dignidade.

A Criterion edita filmes segundo um critério de exemplaridade; filmes cujo conteúdo histórico, cinematográfico, social ou artístico seja considerado essencial. É frequente editarem filmes que não estão disponíveis no mercado ou cujas cópias originais em 35mm estejam em más condições – nesse caso procedem à total restauração digital, documentando cada processo e incluído-o como um extra nas edições (mais uma nota do extremo bom gosto destes senhores). Não se prendem por objectivos comerciais ou de popularidade, apenas editam filmes de inquestionável valor cinematográfico.

A colecção da Criterion tem três focos distintos, a colecção principal, a colecção Eclipse e a Essential Art House. A Eclipse Collection dedica-se a editar pérolas e clássicos esquecidos, ignorados ou perdidos, em formato relativamente económico. Essential Art House é a colecção definitiva daqueles filmes que saem fora do circuito comercial, aqueles diamantes de uma luxúria cinematográfica ímpar, as novas vagas e os cinemas novos, os realizadores independentes e os todos os cultos. Também são frequentes as Edições Definitivas, principalmente de filmes clássicos, onde incluem (para além do filme na sua melhor versão ou versão do realizador), documentários e extras essenciais. Uma verdadeira lição de Cinema.

Mais que aguçar o apetite, este texto é um chamamento. Procurem as edições Criterion, as únicas edições definitivas dos filmes essenciais, para os fanáticos do cinema.

Deitem as pipocas no lixo, comprem um bom leitor multi-região acompanhado de um sistema 5.1, atirem todas as almofadas para o sofá e apaguem as luzes. Vão à versão inglesa da Amazon ou procurem cuidadosamente na Fnac (e utilizem os cheques-prenda que vos vão, concerteza, oferecer este Natal) e invistam. Mesmo que seja só para encher o olho ao sogro e, assim, ganhar mais uns pontos, uma prateleira Criterion vale tanto quanto um vinho caro, e pode salvar (ou iniciar) estórias de amor. Em caso de dúvida, opta pela Criterion.



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