“THE GREAT GATSBY”

“THE GREAT GATSBY”

Os loucos anos 20 pela mão de Baz Lurhman.

Nick Carraway (Tobey Maguire) mudou-se há pouco tempo para Long Island, é lá que conhece e fica fascinado com o estilo de vida de Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), o seu novo vizinho milionário. Aos poucos Carraway, passa a frequentar o círculo de Gatsby e percebe a paixão que Gatsby nutre por Daisy Buchanan (Carey Mulligan), casada com Tom (Joel Edgerton). O romance relata o caos da Primeira Guerra Mundial. A sociedade americana vive um nível sem precedentes de prosperidade durante a década de 1920, assim como a sua economia. Embora Fitzgerald, assim como Nick Carraway no seu romance, idolatre os ricos e o glamour da época, ele não se conformava com o materialismo sem limites e a falta de moral que traziam consigo uma certa decadência.

As interpretações dos actores são, no geral, muito boas. Tobey Maguire é a nossa grande porta para o filme, ele é quase tão espectador como nós, vê tudo o que acontece mas é impotente para alterar o que o rodeia. Os verdadeiros destaques do filme são Joel Edgerton e Leonardo DiCaprio. Edgerton como Tom Buchanan traz muita personalidade a uma personagem que não tem um grande destaque no livro. Mas o verdadeiro herói do filme é, sem sombra de dúvida, Leonardo Dicaprio. Dicaprio representa um Gatsby respeitável, elegante, inteligente, mas idealisticamente apaixonado. O seu desempenho não é apenas atraente, mas é também charmoso e cheio de esperança. Carey Mulligan poderia ter dado algo mais a Daisy mas, mesmo assim, não decepcionou.

“O Grande Gatsby” é, na sua essência, uma mistura de rock, rap e os loucos anos 20. Com uma realização impecável, o filme tem uma fotografia muito boa e oferece ao espectador uma visão da decadência da época presente no romance de F. Scott Fitzgerald. Luhrmann consegue manter a energia do princípio ao fim do filme, com sequências coreografadas e editadas de uma maneira que nos faz quase sentir inveja de não fazermos parte daquele mundo – o que já acontecia com, por exemplo, “Moulin Rouge!”.

“THE GREAT GATSBY”

Esta quarta adaptação de Baz Lurhman apostou na publicidade em grande escala, mas esta é mais uma versão que não atinge o real potencial da obra de F. Scott Fitzgerald – cuja obra está classificada em segundo lugar no top 100 das melhores novelas do século XX.

Muitas foram já as críticas que saíram por todo o mundo, que roçam tanto o fabuloso como o medíocre. Na imprensa internacional, “The Guardian” afirma: “Depois de ter visto esta adaptação fantasticamente impensada e pesada, filme de abertura do Festival de Cannes deste ano, sinto que a única maneira de torná-la menos subtil seria deixar Michael Bay dirigi-la. No caso, a tarefa foi dada a Baz Luhrman, director de “Moulin Rouge!” e  “Austrália”, um homem que não pode ver uma subtileza sem chamar a segurança para colocá-la para fora de seu set”. No “Telegraph” pudemos ler: “O meu palpite é que ela [Zelda Fitzgerald, viúva do autor de “Gatsby”] teria saído da versão 3D ocasionalmente brilhante, muitas vezes desnutrida de Baz Luhrmann em torno da marca de 20 minutos, quando Myrtle Wilson coloca um disco no gramofone no seu apartamento de Nova York e a voz do rapper Kanye West surge, sobre uma linha de baixo que iria abalar as vigas do Empire State Building. A festa que se segue parece a melhor de sempre, festa essa para a qual você nunca foi convidado, com champanhe espirrando pela tela em grandes e gasosos arcos, encharcando os pijamas e camisolas de seda dos foliões”. Ou o “Independent”, cuja crítica já é mais feroz: “Poucos ficarão chocados ao saber que a versão de Luhrmann do romance curto, livre e quase perfeito de Fitzgerald é longa, espalhafatosa e falha. Se você não gosta de seus filmes anteriores, vai encontrar poucas surpresas agradáveis aqui. Mas se consegue aturar o estilo lúgubre e hiperactivo do australiano, então há muito para se admirar.”

Um ponto forte do filme é, sem dúvida, a banda sonora, produzida pelo rapper Jay Z. A participação de Lana Del Rey, com “Young and Beautiful”, foi lançada como single para o filme, num álbum que está a encantar todos os críticos. Beyoncé, Andre 3000, Jack White, Florence and The Machine, Bryan Ferry ou Fergie são alguns dos nomes que também integram esta fantástica banda sonora.

No geral, “O Grande Gatsby” é um filme que nos diverte durante os seus 142 minutos. Contudo, é um filme terrivelmente subestimado já que está repleto de efeitos visuais, figurinos fantásticos e, claro, a expectativa que conseguiu provocar no público.  Não é apenas este filme dramaticamente satisfatório, mas também bastante bem-humorado e um espectáculo como nenhum outro. Para quem é admirador do cinema de Baz Lurhman este é um filme que continua no registo de “Moulin Rouge!” ou “Austrália”, um toque contemporânea dado a uma história dos anos vinte.



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This