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Smerz + Girls 96 @ B.Leza (05.11.2025)

Big City Life junto ao Tejo

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Texto por Miguel Barba e fotografia por Rui de Freitas.

«Everybody Wants to Rute the World» dos Tears for Fears anuncia os Girls 96. Com o selo da magnífica Maternidade, Paloma Moniz e Ricardo Gonçalves trazem o seu dance-punk, perfeito para dar continuidade ao clima de tempestade que se sentiu pela cidade – relâmpagos incluídos – mas desta vez num ambiente controlado e ideal. Com o álbum de estreia (finalmente) na calha, começam a desvendar um pouco daquilo que nos espera (pensamos nós). A panóplia sonora é diversificada e fluída. Sempre dançável. É fácil sentir os 80, os 90 ou até os primeiros anos deste século a pulsarem por aqui. Os Girls 96 são assertivos, “Tu és bué bué bonita”, dito em repeat só tem um desfecho: acreditar. Pelo menos aqui isso é certo. Este é o rumo certo. Nós estamos cá para continuar a seguir e pelo caminho ainda temos um cover da «Thank You», da Dido.

Catharina Stoltenberg e Henriette Motzfeldt são as Smerz. Big City Life é o álbum que nos vêm apresentar, mas é mais do que isso, é um daqueles álbuns que não sabíamos que precisávamos até o escutarmos. A adjectivação deste álbum é ampla… Exploratório, etéreo, dançável, com palavras que podem ir do banal ao essencial, do cantado ao spoken word, sempre num equilíbrio surpreendentemente. A prova disso é que o B.Leza está verdadeiramente cheio para as receber.

Apresentam-se em formato banda e ao som de «But I Do». Sentimo-nos transportados para os 90 e surpreende perceber o quão bom isso é. Em «Imagine This» escutamos “Evеry word she says is clever / And she’s full of surprises”; spoken word que é mel. Estamos a vivenciar em primeira mão a “Big City Life experience”, um conjunto de hinos cosmopolitas para 2025.  A forma como o R&B é introduzido, simplesmente como mais um elemento, uma dimensão, uma parte de um todo, muito mais rico do que apenas um género. Depois há a forma como tudo isto nos é mostrado e é que está a mais valia, que ao vivo só melhora porque tudo respira mais livremente.

«Feisty» soa exactamente como o título sugere. É orgânica, intensa. «Close», é pulsante com o teclado quase artificial mas igualmente intensa, porém eis que a meio, com a bateria, esta fronteira se esbate. Com «A Thousand Lies» experimentamos uma das muitas formas de uma balada. Já «Easy» tem uma guitarra viciante, combinada de forma perfeita com uma bateria. O resultado é uma balada electro-etérea que em 2025 faz todo o sentido.

«Big Dreams» é um crescendo perfeito na forma como os instrumentos são introduzidos (ou removidos) e, por fim, «You got time and i got money» é seda pura. O regresso, esse, felizmente já está agendado para o Porto, em Junho, durante o Primavera Sound.



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