The Strokes @ Lisboa Soundz

The Strokes finalmente em Portugal, dia 22 de Julho no Terrapleno de Santos.

Desde o lançamento de “Is This It”, em 2001, que muitos ansiavam a passagem dos The Strokes por Portugal. Finalmente, cinco anos depois do emblemático registo de estreia e com mais dois discos na “mala”, a banda de Julian Casablancas actua em Lisboa, inserida num cartaz de luxo que promete encher o Terrapleno de Santos. O Lisboa Soundz está agendado para dia 22 de Julho e a presença é obrigatória.

OS THE STROKES …

Vivia-se o ano de 1999 quando um grupo de nova-iorquinos decidiu abanar a cena rock mundial. Julian Casablancas (vocalista/compositor), Nick Valensi (guitarrista), Albert Hammond Jr (guitarrista), Fabrizio Moretti (baterista) e Nikolai Fraiture (baixista), deram-se a conhecer ao público no final desse mesmo ano, no Spiral, tendo captado de imediato o interesse do público e das editoras.

Foi o primeiro “registo” da banda (uma demo com os temas «The Modern Age», «Last Nite» e «Barely Legal») que definitivamente os colocou no circuito de concertos nova-iorquino e na agenda do empresário Ryan Gentles, que tratou de enviar algumas cópias dessa demo para o outro lado do Atlântico, onde Geoff Travis, da independente Rough Trade tratou de compilar esse conjunto de faixas num EP, transformando a banda num verdadeiro fenómeno em todo o Reino Unido, tendo sido recebidos de uma forma efusiva pelos media. “Sejamos francos: os Strokes são os filhos da mãe mais quentes do momento” (New Musical Express de Fevereiro de 2001)

Toda a expectativa criada pela imprensa – que não pode deixar de “babar” numa banda influenciada por artistas como o Television, os Stooges e, principalmente, Lou Reed e o Velvet Underground – não foi em vão. Os Strokes não repetem os sons que os inspiram, eles refazem-nos à sua imagem e semelhança. Nas suas composições, o grupo mostra uma nova versão do punk rock americano dos anos 70 infectado de maneira irreversível pela pop. Uma nova visão do rock que seria seguida por diversos projectos que desde 2000 têm proliferado na cena mundial.

Em pouco tempo, os The Strokes estavam em todo o lado – as suas músicas em desfiles de Moda da Stella McCartney, num especial de capa da NME dedicado às bandas de Nova York, e, finalmente, nos palcos Ingleses (a sua estreia aconteceu em Fevereiro de 2001 no prqueno Camden Monarch). Mas o hype era já enorme e o status de “banda do momento” confirmou-se semanas mais tarde quando eles tocaram no prestigiado London Astoria, num evento patrocinado pelo NME.

No início de Setembro de 2001 foi editado na Inglaterra o disco de estreia, “Is This It”, tendo entrado imediatamente para segundo lugar do Top. Nos EUA o disco foi editado com um considerável atraso, com uma capa diferente (a original não agradava aos padrões púdicos dos Americanos) e sem a faixa «New York City Cops», substituída, depois do 9/11, pela então inédita «When It Started» (que foi depois lançada como lado B do terceiro single da banda em UK, «Last Nite»). Nos Estados Unidos, «Is This It» nem chegou ao Top 50.

Depois de terem editado o seu disco de estreia, a banda partiu numa extensa digressão, que incluiu datas em Nova Iorque e Detroit com os White Stripes, festivais de Verão em Reading e Leeds, concertos com os Weezer, uma digressão de Inverno e a abertura de concertos para os The Rolling Stones.

Em Março de 2003, a banda estava pronta para começar a gravar o segundo álbum, “Room on Fire”. Mesmo antes de ser lançado, voltaram à estrada levando consigo os Kings of Leon. Embora não tenha sido recebido da mesma forma que o seu antecessor, “Room on Fire” manteve a mesma linha de “Is This It”, com um piscar de olho mais “intenso” ao mercado, algo que por si só não tem que ser negativo.

Este ano, os The Strokes regressaram aos discos com “First Impressions of Earth”, o terceiro álbum da banda, que entrou directamente para o primeiro lugar da tabela de vendas em Inglaterra. Este será o disco que servirá de mote para o concerto de dia 22 de Julho em Lisboa. Repleto de grandes “canções”, este último disco dos The Strokes pode não estar no mesmo patamar que “Is This It” (dificilmente a banda conseguirá surpreender da forma como o fez em 2001), mas é possivelmente o álbum onde existe um maior equilíbrio entre a qualidade instrumental, a diversidade de ambientes e a qualidade lírica dos temas.

… E OS ILUSTRES CONVIDADOS

Mas os The Strokes não vêm a Lisboa sozinhos. Se por si só, um concerto da banda de Julian Casablancas já seria motivo mais do que suficiente para gastar alguns euros, então se essa actuação estivesse englobada num cartaz como o deste ano do Lisboa Soundz, a falta de comparência é completamente injustificável.

As honras de tocar antes dos The Strokes foram dadas aos Dirty Pretty Things, banda renascida dos Libertines e que tem como vocalista o líder Carl Barât. A banda lançou este ano o disco de estreia “Waterloo to Anywhere” e foram considerados pelo NME como a banda revelação de 2006. Os Dirty Pretty Things já passaram por Portugal no decorrer deste ano, num concerto memorável no Santiago Alquimista. Quem não teve a oportunidade de os conhecer, têm aqui a sua segunda hipótese.

Possivelmente haveria muito para falar dos She Wants Revenge, mais um dos interessantes projectos que passa pelo Terrapleno de Santos, mas vamos ficar apenas com o essencial. Formados pelos DJs Justin Warfield (vocalista e guitarrista) e Adam “Adam 12” Bravin (baixista e teclista), os She Wants Revenge vêm de Los Angeles e vingaram desde logo nos media norte-americanos com o homónimo álbum de estreia. Praticantes de um electro/rock intenso carregado de anos 80, será interessante assistir à actuação deste duo em palco e comprovar (ou não) as virtudes apresentadas em disco.

Directamente do Brasil, os Los Hermanos regressam (mais uma vez) a Portugal. Depois de uma digressão por vários pontos do país, onde apresentaram “4”, o último disco da banda, o projecto Marcelo Camelo (voz/guitarra), Rodrigo Amarante (flauta/voz), Patrick Laplan (baixo), Rodrigo Barba (bateria) e Bruno Medina (teclados), vem tentar provar mais uma vez que «Anna Julia» foi um mero engano e que a banda é muito mais que um hit popular de discotecas de adolescentes. Uns dizem que sim, outros acham que não. O melhor é conhecê-los ao vivo e tirar as nossas próprias conclusões.

Apesar de ter alcançado a fama como membro fundador dos Belle & Sebastian, Isobel Campbell veio mais tarde a ter sucesso a solo, como The Gentle Waves. Em 2003 e sob nome próprio lançou “Amorino” e manteve-se no silêncio até à passada Primavera ressurgindo com “Ballad of the Broken Seas”, um disco em dueto com Mark Lenegan (Screaming Trees e Queens of the Stone Age). Este ano, promete editar um álbum mais folk, “Milk White Sheets”, que provavelmente será ouvido em primeira mão no palco do Lisboa Soundz.

Howe Gelb é um dos músicos que tem feito mais por alargar os horizontes da música, explorando novas direcções com os vários projectos que vai abraçando, como são exemplo os Giant Sand. Desta feita o artista juntou-se a um coro de gospel para editar o álbum “Sno Angel Like You”, o disco que traz a Portugal nesta sua passagem por Lisboa, trazendo com ele um coro de gospel, neste caso os Voices Of Praise.

A representar as “cores nacionais”, estão os You Should Go Ahead a abrir as festividades do palco do Lisboa Soundz. O álbum de estreia foi editado no final de Maio e o single de apresentação, «Like When I Was Seventeen» já tem passagem obrigatória nas rádios portuguesas. A música foi masterizada por Howie Weinberg, conhecido por trabalhar com bandas como Smashing Pumpkins, Franz Ferdinand, The Clash, Metallica, Nirvana e Sonic Youth, entre outros. Uma promessa do rock nacional a conferir no dia 22 de Julho.



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