Lisboa Soundz

O triunfo dos Strokes.

Cinco anos após o enorme hype que abanou o panorama musical global, os The Strokes estrearam-se em Portugal. Inseridos no excelente cartaz do festival urbano Lisboa Soundz, a banda de Julian Casablancas foi a grande estrela da noite de 22 de Julho e brindou todos os presentes com um dos melhores concertos do ano, comprovando aquilo que muitos já sabiam: os The Strokes são uma das melhores bandas rock da actualidade.

Passavam poucos minutos da meia noite quando 5 indivíduos oriundos de Nova Iorque invadiram o palco. Estávamos a poucos segundos do início de um dos concertos do ano. O público, em número bastante razoável mas que não encheu por completo o Terrapleno de Santos, manifestava-se como podia. Entre gritos e aplausos, eram debitados os primeiros sons pelas colunas e raios de luz pelos enormes holofotes colocados no palco. «Juicebox» deu início à viagem que iria durar cerca de uma hora e meia.

O estatuto que os The Strokes conseguiram alcançar, no decorrer destes últimos 5 anos, coloca-os no topo do rock mundial. Em palco, a banda funciona como um todo, tendo em Julian Casablancas o vocalista/frontman perfeito (bastante comunicativo e divertido) e em Albert Hammond, Jr o guitarrista com mais “pinta” do “mercado”.

Nenhum dos “clássicos” foi esquecido no concerto de Lisboa e a banda “navegou” entre os três registos editados. Depois de abrir com o excelente e explosivo «Juicebox», primeiro single do último “First Impressions of Earth”, foi apresentado um notável rol de músicas, numa setlist muito bem elaborada e bastante coerente. «The End Has No End» e «Red Light» abriram caminho para uma das mais emblemáticas músicas da banda. «The Modern Age», a faixa do histórico registo de estreia “Is this It”, que a imprensa inglesa idolatrou há cinco anos atrás.

A capacidade vocal de Casablancas foi diversas vezes colocada em prova (mesmo com a “fraca” qualidade sonora a não ajudar). Um dos temas menos previsíveis, «Ize Of the World», mostrou a sua capacidade de “berrar” e debitar dezenas de palavras por segundo, criando um dos momentos mais sublimes de total coesão entre toda a banda.

«Someday», «Hard to Explain» e «You Only Live Once», criaram, com «Last Nite», uma sequência perfeita, com o público em total euforia a cantar em uníssono aquele que foi o primeiro grande hit dos The Strokes em Portugal. Depois do “momento intelectual” de Casablancas com «Ask Me Anything», a actuação dos Strokes vai para “intervalo” com mais duas pérolas: a mais recente «Vision of Division» e a incrível «Reptilia», um dos clássicos mais requeridos pelo público.

A pausa foi curta e a banda regressou a palco com «12:51», o primeiro single de “Room on Fire” e uma das faixas mais pop da sua discografia. «New York City Cops» e «Take It Or Leave It» fecharam da melhor forma a actuação dos The Strokes, que souberam “respeitar” o público português e em vez de basear toda a sua actuação no último registo de originais (aquele que mais lhes interessa promover), passaram por toda a sua discografia, particularmente por “Is This It”, o emblemático registo de estreia.

A actuação dos The Strokes ficou de certeza na memória de todos aqueles que estiveram presentes na noite de dia 22 de Julho. Embora tenha sido um grande concerto, obviamente que seria muito mais interessante assistir a um concerto dos Nova-Iorquinos num outro tipo de espaço, com outras condições acústicas. Quem sabe se no futuro teremos essa sorte.

Embora o concerto dos The Strokes se tenha destacado de tudo aquilo que aconteceu na tarde/noite de Lisboa Soundz, existem outros registos que merecem o nosso destaque.

Resumindo a actividade do palco principal até às nove e meia da noite:

Os You Should Go Ahead estrearam-se num palco “principal” de um festival e tocaram para uma plateia onde apenas se encontravam os fãs mais fervorosos dos The Strokes e que queriam um lugar na 1ª fila.

Howe Gelb mostrou de novo toda a sua genialidade com o seu notável Gospel Choir, num concerto que aconteceu no momento errado e no sítio errado. Haverá uma segunda oportunidade?

Isobel Campbell passou um pouco “ao lado” do festival, numa actuação sem chama e pouco interessante. Possivelmente o ambiente não seria o mais propício para a sua música.

A presença dos Los Hermanos no Lisboa Soundz só pode ser explicada pela tentativa da organização levar ao evento algumas pessoas da comunidade brasileira residente em Lisboa. Infelizmente, para a organização, à mesma hora estava a decorrer um “Trio Eléctrico” com a presença de Ivete Sangalo. Entre samba e Los Hermanos, os brasileiros preferiram a primeira hipótese.

Sensivelmente às 21:30, subiram ao palco os She Wants Revenge, a maior supresa do Lisboa Soundz. Apenas com um disco editado, a banda tem gerado opiniões pouco consensuais entre os media. Influenciados por projectos como os Joy Division ou Depeche Mode, o projecto de Los Angeles provou em palco que as “melodias repetitivas” apresentadas no disco, ganham uma outra dimensão ao vivo.

Com uma presença muito segura e cativante, principalmente devido à postura do vocalista Justin Warfield, os She Wants Revenge conseguiram captar a atenção do público presente. Temas como «Broken Promises For Broken Hearts» e «Tear you Apart» mostraram a capacidade da banda em criar temas extremamente orelhudos e dançáveis, rapidamente “absorvidos” pelo público que não poupou aplausos no final da actuação da banda.

Os She Wants Revenge podem ainda estar a dar os primeiros passos, mas a verdade é que o concerto no Lisboa Soundz demonstrou que a banda tem um enorme potencial e que no futuro pode ser um caso sério de popularidade.

Se muitos criticam os She Wants Revenge de serem repetitivos, o que dizer dos Dirty Pretty Things? A banda dos ex-Libertines Carl Barât e Gary Powell apresentou um rock “rotulado”, num concerto com muitos poucos motivos de interesse e que pode ter sido do agrado apenas de alguns fãs dos Libertines (ainda existem?). Felizmente que os Dirty Pretty Things não representam a música produzida no Reino Unido.

O fraco interesse que o concerto dos Dirty Pretty Things gerou no público serviu para descansar e preparar as pernas e os ouvidos para um “verdadeiro concerto de rock” que os The Strokes iriam servir-nos no final da noite.



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