30_Seconds_To_Mars_Meo_Arena-39

Thirty Seconds to Mars @ MEO Arena (29.05.2024)

Marta ataca (mas pouco) em Lisboa

,

Texto por Daniela S e fotografia por Graziela Costa.

Banda norte-americana voltou a tomar a capital de assalto e nem as ruas da baixa lisboeta
escaparam, no dia seguinte. Um concerto regado a memórias antigas, fogo e muito confetti.

“É o fim do mundo, mas até está um dia bonito” … Não somos nós quem o diz, mas sim os 30
Seconds to Mars, que são daqueles fenómenos que perduram no tempo e não saem do
imaginário coletivo nem com o passar dos anos.

A banda norte-americana é exemplo disso por terras lusas, onde nem precisam de ter novo
álbum para encher concertos— mas por acaso até têm (e chama-se mesmo “It’s The End of the
World But It’s a Beautiful Day”).

Nem o facto do público ainda não o conhecer bem impediu a festa, esta quarta-feira, no Meo
Arena. Já lá vão, pelas nossas contas, uns nove concertos por cá. E a fórmula, embora seja
sempre a mesma, é vencedora: muita interação, muito fogo, muito confetti e muito coro
ensaiado pelo público. Entretenimento garantido, memórias para a vida, noite assegurada.
Desta feita, o concerto começou com os líderes da banda, os irmãos Jared e Shannon Leto, a
descerem as escadas da tribuna rumo ao palco, ao som da nova «Avalanche».

Em cima do palco, à sua espera, os fãs mais aguerridos que compraram packs vip para verem o
espetáculo mesmo ao lado da banda. Cá em baixo, um mix de jovens e velhos fãs, unidos com o
mesmo propósito e alguns copos de gin.

Há fogo de artifício e artifícios vários logo desde os primeiros momentos. Ouve-se «Up in the
Air», um dos mais recentes sucessos da banda do ator oscarizado, que surge de capa de super-
herói, óculos de sol, luvas e “grillz” nos dentes. 52 anos bem conservados, mas que já se acusam
na memória: há uma ou outra letra que lhe escapam, mas o Leto mais novo até brinca com a
situação, em jeito de stand-up que diverte o público. Estamos, afinal de contas, perante um
entertainer de mão cheia, que sabe exatamente o que o público quer e não se ensaia muito para
dar tudo em palco.

Esquecemos «Seasons», mas não «Kings and Queens», outro êxito sem mácula da banda por cá.
«Walk on Water» é o que se canta de seguida, mas os fãs andam é por cima uns dos outros, a
pedido do vocalista, que já chama gente a palco para cantar «Rescue Me».

Ainda agora começamos e já está tudo conquistado: um concerto de Mars é para estar atento,
ou corremos o risco de perder mais uma peripécia do mestre de cerimónias.

Pelo caminho, Jared Leto apanha um fã do Porto e deixa antever a possibilidade de um concerto
por lá no próximo verão. Teremos anúncio acidental em primeira mão? Logo veremos… Agora é
altura de continuar com fogo literal em palco ao som de «Hail to the Victor», «Hurricane» e «This is
War» de rajada.

Seguir-se-ia uma pausa para acalmar os ânimos e apelar aos fãs mais “antigos”. Música do
primeiro álbum da banda? Nah, não vamos tão longe… Ficamo-nos por «Alibi» e «From Yesterday»
que, mesmo assim, fazem o gostinho à memória do Echelon mais corajoso que pudesse estar,
porventura, presente. Provehito in Altum fica para outro dia…

Story time: Portugal é uma paixão antiga da banda norte-americana. Durante a pausa para a
balada, Jared fala de peixe e passeios no mar e diz que, se não fosse o país, a banda talvez nem
existisse. O público, já rendido, não deixa escapar o nacionalismo e celebra o feito. Só faltou
mesmo a bandeirinha de Portugal, que surgiria mais tarde para o habitual TikTok em palco.

Quem conhece 30stm sabe que há sempre uma cover improvável que acaba por ser incluída na
setlist. Desta feita, em Lisboa, ouvimos «Stay» (Rihanna? Mikky Ekko?), ainda em versão
momento acústico, que a idade não perdoa… Há balões negros no ar e ouve-se, finalmente, a
bateria de Shannon Leto. É «Night of the Hunter», o quinto e último single de This is War (e,
arriscamos, uma das melhores canções “novas” da banda, apesar de ter sido lançada em 2011)
a fechar o ciclo acústico e a colocar o concerto noutra fase. Ouviremos depois «City of Angels» e
«A Beautiful Lie», recebida efusivamente pelo pavilhão, que grita “Portugal” lá para o meio e
alinha nas filmagens destes marcianos tão peculiares.

De seguida, ouvimos música nova: «Get Up Kid» estreou-se «on the road» aqui em Lisboa e, para
garantir que o público percebia a mensagem, Jared Leto até interrompeu a cantoria e começou a
canção de novo, em jeito de karaoke com a letra a passar nos ecrãs. Pelo meio, esqueceu-se da
letra e brincou com a idade, assumindo a cábula que lhe deram e que não serviu de nada… Como
prémio pela paciência, presenteou os fãs com a poderosa «Attack», que levou os “old schoolers”
ao rubro e trouxe a palco a desaparecida guitarra «Pythagoras», ainda “viva” e a tocar
brilhantemente (entendedores entenderão).

Depois de tanta emoção, seguiu-se uma pausa relativamente longa, com o público a ponderar de
que buraco iria sair de seguida Jared Leto, famoso por inventar a meio dos concertos… Os
irmãos Leto acabariam por voltar a palco para o encore, já de bandeirinha portuguesa em punho
e a tocar «Stuck», que também parece acolher muitos fãs por terras lusas. “Avalanche” é ouvida
novamente, para promover o novo álbum (literalmente atirado para a multidão em formato vinil)
e o set termina com dois dos maiores êxitos da banda por cá: «The Kill», que marcou o começo
do fim do anonimato da banda norte-americana, e «Closer to the Edge», com centenas de fãs em
palco… e confettis. Outra vez.

No final, fica o mesmo sabor de sempre. Os 30 Seconds to Mars já não são o que eram mas
continuam na mesma… Continuam a surpreender o público e a dar um bom espetáculo, seja no
Coliseu, num festival ou até numa rua de Lisboa (como fez Jared Leto no dia seguinte). As
canções mudam, o estilo transforma-se, mas o showmanship fica. E está tudo bem… Afinal de
contas, é o fim do mundo, mas o dia até está bonito…



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