“Tigana – A Lâmina na Alma” | Guy Gavriel Kay

“Tigana – A Lâmina na Alma” | Guy Gavriel Kay

Não existem caminhos errados

Graças à Saída de Emergência, tem sido possível para os órfãos Tolkenianos conhecer de perto algumas sagas do reino da fantasia que, evitando fazer comparações com o grande mestre, têm mantido vivo nos seus leitores o sonho de um mundo feito de magia e espírito épico.

Após a publicação de sagas como “Crónicas do Gelo e do Fogo” – de George R. R. Martin, ainda longe da conclusão – ou “As Crónicas de Dragonlance” – da autoria de Margaret Weis e Tracy Hickman, trilogia retirada do universo Dragonlance -, a editora iniciou recentemente a publicação de “Tigana”, uma das obras mais aclamadas de Guy Gavriel Kay, autor canadiano traduzido em mais de vinte línguas e receptor de numerosas nomeações e prémios ao longo de uma respeitável carreira.

Publicada inicialmente em 1990, a acção de Tigana decorre na Península de Palma, terra que nos transporta para a geografia italiana e onde dois feiticeiros lutam pelo poder e domínio das nove províncias do império: Alberico de Barbadior e Brandin de Ygrath, este último o rei que amaldiçoou para sempre Tigana, fazendo com que esse nome não pudesse ser mais lembrado ou sequer pronunciado.

A Lâmina na Alma” (Saída de Emergência, 2013), o primeiro livro da saga, serve de apresentação a uma estranha irmandade, composta por um grupo de sobreviventes que inicia uma perigosa cruzada com vista a destronar ambos os reis, terminando o regime despótico em que a Península havia mergulhado e, ao mesmo tempo, recuperando o nome de Tigana para o mundo.

Da irmandade fazem parte personagens como Alessan, Catriana ou Devin, este último a voz maior através da qual nos chega a história. Na noite em que se preparava para cantar no funeral de Sandre – o duque que governava a província de Astibar -, começando uma careira deveras promissora, Devin vê a sua vida ser revirada do avesso.

Para além de descobrir que metade das pessoas que conhece não são realmente quem dizem ser, Devin encontra a verdade sobre si próprio, sendo convidado a deixar tudo para trás e a cumprir o seu papel de herói improvável, juntando-se ao sonho épico de libertação do qual fazem parte um punhado de homens e mulheres.

A par da história de Devin e companhia conhecemos Dianora, escolhida anos antes para integrar a Saishan de Brandin – qualquer coisa como o seu bordel privado -, localizada na Ilha de Chiara, alimentada exclusivamente a mexericos e rumores.

Dianora é «uma rapariga com a morte no coração, com um pai morto e uma mãe que se perdera de uma forma muito pior», que esconde um segredo que aos poucos a vai consumindo entre o arrependimento, a culpa e um desejo insaciável de vingança.

Girando à volta do sentimento de perda e da necessidade da preservação da memória, “A Lâmina da Alma” é como que o traçar, a tinta-da-china, do mapa onde se irá desenrolar uma imensa aventura, feita de juventude, irreverência, medo e coragem. Mais prometedor que isto era impossível.

 

A publicação de «A Voz da Vingança», o segundo volume de Tigana, está prevista para meados de Março deste ano.



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