tricycles_bruno_pires

Tricycles + Birds are Indie @ Sabotage (23.03.2019)

As bandas companheiras na editora Lux Records reuniram-se no Sabotage para marcar a apresentação ao vivo do disco de estreia dos Tricycles, que iniciará a volta a Portugal em escaparates na próxima sexta-feira.

Os Birds Are Indie apadrinharam esta sessão de apresentação, fazendo desfilar principalmente temas do seu trabalho de estúdio mais recente, “Local Affairs”, editado no ano passado. Um disco que acaba por ser uma ode ao espírito comunitário que hoje em dia prolifera pelos meandros da música em Coimbra, e que esteve personificado na perfeição nesta agradável noite no Sabotage. Consta que as bandas naquela zona são verdadeiros «Partners in Crime». E é nosso prazer sermos testemunhas em todos os sentidos.

Para sorte da plateia que preencheu dignamente a sala do Cais do Sodré, foi uma primeira parte bem mais longa que o normal, dado que as bandas de abertura costumam ter o seu alinhamento limitado. O trio de Coimbra mantém-se fiel aos acordes simples em que apostaram na sua génese, e talvez por isso a jovialidade se mantenha intacta. A música dos Birds Are Indie são «Endless Summer Days», com o sol sempre omnipresente, capaz de nos levantar o espírito, ainda que provavelmente insuficiente para aquecer as águas das praias galegas.
Esperamos, muito sinceramente, que esta malta que abandonou os seus empregos nunca se despeça da música.

As canções avançadas pelos Tricycles para representar o seu disco de estreia tinham deixado excelentes indicações acerca do que esperar relativamente a esta apresentação do mesmo. E foi precisamente com «All The Mornings», o primeiro single, que o quarteto abriu as hostilidades. Apesar de irem beber a diversas fontes, um dos alicerces mais vigorosos dos Tricycles são as guitarras que nos transportam ao rock alternativo dos anos 90, ombro a ombro com uma atenção especial dedicada às letras, pedalando inclusivamente na pista do pós-grunge. Os riffs e as melodias remetem as nossas sensações para diferentes direcções, especialmente no eixo EUA-Reino Unido. Ao terceiro tema reforçaram ainda mais a relação com os Birds Are Indie ao convidar Ricardo Jerónimo para se ocupar das teclas em «Hamburger». Teclado que foi ocupado por João Taborda em alguns dos temas, tendo o vocalista empunhado ainda a viola noutros tantos. No meio de tanta troca, chegou inclusivamente a ceder a função de vocalista a Afonso Almeida em «Sun».

Apesar do concerto ser dedicado à apresentação do álbum, os Tricycles decidiram brindar o público com uma canção mais recente que não fará parte do mesmo, de forma a tornar as coisas ainda mais interessantes. Houve ainda tempo para confirmar que «Saliva», o segundo tema dado a conhecer antes do concerto é uma canção maior, não apenas em termos de duração, mas especialmente na qualidade. Uma “canção de amor/ódio”, como confessaram os seus autores, onde consequentemente as emoções estão à flor da pele. Ao longo do alinhamento vamos testemunhando a simplicidade e fiabilidade da secção rítmica sob responsabilidade de Sérgio Dias e Edgar Gomes, que não poucas vezes vão enriquecendo os temas com segundas vozes.

Talvez a melhor coisa que possamos dizer acerca desta actuação dos Tricycles é que ficámos com maior curiosidade ainda em escutarmos as versões de estúdio, dado que este aperitivo foi saboroso. É sempre muito bom sinal quando nos apetece continuar a escutar uma banda após um concerto da mesma. Em boa hora estes veteranos voltaram à ribalta.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This