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Birds Are indie @ Teatro do Bairro (20.04.2018)

O grupo de Coimbra passou por Lisboa no fim-de-semana passado em negócios, trazendo a sua última colecção de canções para promoção, sob o título “Local Affairs”.

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Trata-se do quarto longa-duração do duo que entretanto passou a trio e que agora se apresenta como quarteto ao vivo, dada a participação de Jorri nas linhas de baixo.

A actuação arrancou precisamente à imagem do novo disco, com «I never wanted that», que nos mostra uns Birds Are Indie mais eléctricos quando comparados com os seus primórdios mais acústicos, mantendo no entanto a jovialidade e paleta de cores a que as suas composições já nos acostumaram. Uma paleta de cores bem agradável tal como a que decora o fundo palco, decalcada da capa de “Local Affairs”, saída da imaginação de Joana Corker, que além de intérprete se ocupa regularmente do design.

«Listen» e «Endless summer days» sopram uma brisa mais folk e intimista, como que demonstrando que os Birds Are Indie não pretendem abandonar as suas raízes, mas sim alargar o seu bonito espectro. E se «Come to the water», o primeiro single extraído do novo álbum, nos levou até às águas da Galiza, «Get in» mostrou que Velvet Underground também pode ser a praia desta malta de Coimbra. Houve ainda tempo no encore, rigorosamente combinado com a plateia, para uma riquíssima versão de «Sex beat» dos californianos Gun Club (que oxalá seja realmente editada na colectânea de versões que a Lux Records tem em mente).

Os Birds Are Indie são indubitavelmente umas das bandas mais simpáticas do panorama nacional, sendo Ricardo Jerónimo um verdadeiro mestre de cerimónias, contextualizando sempre de forma divertida a canção que se segue, conseguindo arrancar risos mesmo a um público deveras tímido como o que ocupou as mesas do autêntico café-concerto no Teatro do Bairro. Além do mais é sensacional testemunhar toda a cumplicidade que os membros têm em palco, o que ainda alimenta mais a empatia progressiva sentida por quem assiste.  O merecido reconhecimento de quem colaborou na feitura deste disco é também uma constante, desde a editora Lux Records ao estúdio Blue House.

 

Texto por Álvaro Graça e fotografia por José Eduardo Real



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