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Trophy Wife

Blessing Force

Os Trophy Wife são originários de Oxford, terra dos mui recomendáveis Foals e vêm apresentar “Bruxism”, o seu EP de estreia, no Musicbox, dia 31 de Março, razão pela qual fomos falar com o líder da banda. Eles são Jody Prewett (voz, guitarra e baixo), Ben Rimmer (teclados) e Kit Monteith (bateria).

Nos tempos que correm, quando se prepara uma entrevista a primeira coisa que fazemos, invariavelmente, é pesquisar pelo nome da banda no Google. É um ponto de partida válido como qualquer outro, porém, desta vez, a pesquisa retornou resultados referentes a três bandas distintas chamadas Trophy Wife. Será que a escolha do nome para a banda tinha sido feita com conhecimento disso? Estava encontrado o ponto de partida para a entrevista. “Nós não sabíamos. O nome resultou das nossas discussões contínuas sobre como estar numa banda destruiu todas as relações que tivemos. Certo dia compreendemos que se quiséssemos continuar a tocar numa banda talvez tivéssemos de nos contentar em casar com mulheres troféu (trophy wives) em vez de o fazermos com pessoas de quem realmente gostássemos. Pretende invocar a verdadeira escuridão por detrás de todo o brilho e glamour”.

Uma maneira que muitas bandas encontram para se auto-promover é arranjando formas originais de classificarem, tipificarem (palavra feia, esta) ou rotularem a sua música. Os Trophy Wife não são excepção e o termo escolhido é suficientemente original para despertar alguma curiosidade; “ambitionless office disco”. Não desiludiu, pois não? Segundo a banda, “refere-se a uma ideia que partiu de nós, em que o nosso som não iria ter muitas mudanças… actualmente já não é esse o caso, dada a nossa inclinação para as variações excessivamente dramáticas”.

Quando escutamos pela primeira vez os Trophy Wife, sem qualquer conhecimento relativo à história e ligações da banda, é possível notar algumas semelhanças com os Foals. Ao nos informarmos um pouco mais sobre os Trophy Wife, começamos por descobrir que não só são da mesma cidade, como escrevi no início desta prosa, mas que também que passam algum tempo juntos. Tentámos então perceber como se cruzaram os caminhos das duas bandas mas facilmente chegamos à conclusão que não é abordagem que a banda procure seguir – o que é compreensível – porque se limitam a responder com um simples mas não menos directo “somos amigos”.

Oxford está actualmente a ser palco de um movimento interessante, chamado Blessing Force, e que engloba outros artistas, para além dos Trophy Wife. Um dos aspectos interessantes deste movimento é que o seu espectro vai para além da música, ao incluir também artes e literatura. Para os Trophy Wife tudo aconteceu de forma natural. “Não escolhemos fazer parte dele. É algo que tem vindo a acontecer entre o nosso grupo de amigos desde há algum tempo para cá… simplesmente agora ganhou um nome e as coisas estão um pouco mais organizadas. Penso que é óptimo que as artes visuais e a componente literária existam a par da música. Apenas desejava que as coisas fossem um pouco mais equilibradas no que diz respeito ao output que passa para os vários meios…”.

“Bruxism”, o EP de estreia da banda, foi lançado em Outubro do ano passado, quase um ano após o lançamento do single de estreia, «Microlite». Foi bastante tempo, pelo que perguntámos se tinha sido algo propositado ou simplesmente tinha acontecido naturalmente. “O projecto era muito ambicioso e como tal demorámos o tempo necessário para fazer as coisas bem. Trabalhámos com cinco produtores distintos nas cinco faixas”. E continuam: “Penso que a cultura que se sente na música actualmente, com bandas a procurar apressar lançamento após lançamento, é negativa. Sugere que têm mais em conta o seu perfil do que a própria música. É importante manter-se activo e vivo nas cabeças das pessoas, especialmente se estivermos a falar de uma banda nova, mas também é muito importante sentir orgulho naquilo que se edita, e isso inclui os vídeos e o todo o artwork”. São palavras sábias e verdadeiras as anteriores. Ficam aqui mais algumas: “Muitas bandas pagam para ter um vídeo e uma capa feitos por alguém e acabam por dar pouco ou nenhum input durante o processo. Nós procuramos envolver-nos à séria em todos os aspectos da banda e se isso implica levar um pouco mais de tempo do que aquele que os Vaccines precisam para gravar um álbum, então o resto das pessoas vão ter de saber lidar com isso”. É caso para recorrer a uma expressão popular… quem fala assim não é gago!

“Bruxism” tem sido alvo de críticas muito positivas e actualmente a banda está a ter oportunidade de apresentar o seu trabalho ao vivo, algo que os deixa “muito orgulhosos”, porque “representa um ponto de viragem importante para nós. Mostrou a nós próprios que somos capazes atingir sonoridades com um âmbito muito mais vasto do que aquele que idealizámos para esta banda originalmente”.

Um álbum de estreia está na calha mas não há qualquer compromisso com datas. “Estamos a apreciar muito o processo [de composição do álbum] e mal podemos esperar para que as pessoas possam ouvir os frutos do nosso trabalho”, sem que tal implique qualquer tipo de pressa ou pressão, acrescentamos nós.



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