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TV Rural

“Portuguêsmente”, em português...

Aqui o que importa é fazer a festa. Porque música é alegria. Depois de promover o seu primeiro disco, editado no final de 2007, editam um novo álbum de originais no início de 2012.

“Correr de costas” é um desafio, mas por maior desafio que seja, vale a pena enfrentá-lo com música nos ouvidos, e em português,  porque fica sempre bem. Entrevista com David Jacinto.

“São jazzreggaefunkfadunchoafrodrumn’basspunkrockprogressivo”. Expliquem lá isso!

Pouco há a explicar sobre essa expressão. Trata-se de uma brincadeira resultante da dificuldade para descrever concretamente em que consiste a nossa música ou de que género musical mais se aproxima. O Bernardo Barata (Feromona, Diabo na Cruz, Oioai, etc…), quem tem trabalhado connosco em diversas ocasiões ao longo dos anos (inclusivamente neste novo disco), em tempos escreveu uns parágrafos sobre os tv rural em jeito de apresentação da banda. Saiu-se com esta, e olha que ele conhece bem o nosso som. Era isso que ele (e nós), e possivelmente muitos outros, sentiam quando ouviam a nossa música. Andámos muitos anos a fundir estilos – vários numa só canção (ouve por exemplo o nosso disco anterior) – hoje, essa expressão pode ser resumida num só termo: rock.

Porquê, num mundo cada vez mais global, cantar em português?

Depois da revisão e aceitação do novo acordo ortográfico vai ser mais fácil e mais abrangente chegar ao grande mercado da CPLP. Foi uma jogada estratégica.

Agora a sério… cantar em português é a única forma de nos fazermos entender, uma vez que as letras são escritas em português.

Agora, mesmo a sério… a nossa música quer-se global aqui dentro. Se chegar a esses tantos ouvintes que gostam da sonoridade das palavras e do rock em português, é porque estamos a ir bem.

Cantar em português foi algo a que nos propusemos há muitos anos atrás. Nessa altura eram poucas bandas do circuito mais alternativo/amador que cantavam em português. Aí carregávamos a bandeira da língua e tínhamos discussões acesas sobre esse tema. Cantar em português naquela altura marcava a diferença e também uma posição. Hoje em dia o cenário mudou: ouvir rock em português é cada vez mais usual (é só dar uma vista de olhos por exemplo no site da MPAGDP) e ainda bem… a nossa língua é boa de entoar!

Mas mais importante do que cantar em português é tentar fazê-lo bem, com algum rigor na gramática e na fonética. Isso sim é importante, e é algo a que damos especial atenção.

Acham que, mais do que o público, a música portuguesa tem de gostar de si própria?

A música portuguesa é uma miúda gira e inteligente, que está ciente disso e é feliz consigo própria. Gosta de se ver ao espelho, de se tocar e de se enrolar com a música de fora. Por vezes toca e deixa-se tocar pelo público.

Quais são as vossas influências musicais?

Jazzreggaefunkfadunchoafrodrumn’basspunkrockprogressivo!

Correr de olhos fechados não será um risco? Ou vêem mais como uma aventura?

Correr de olhos fechados é avançar sem medir as consequências. O risco está para quem tiver algo a perder. No nosso caso, a nossa música só tem a ganhar se continuarmos em frente e sem merdas. É isso que fazemos há mais de 10 anos e é isso que continuaremos a fazer.

Correr de olhos fechados é também o título da canção que escolhemos para single do nosso novo disco, que em breve sairá com o selo da Chifre. (esta música está em escuta e para download gratuito em: chifre.org)

Que faziam os elementos do grupo antes de nascer o TV Rural?

Ouvíamos música no walkman e usávamos um lápis para rebobinar as cassetes.

Porquê “TV Rural”?

Esse é o nome da banda, que carregamos desde que nos formámos. Nessa altura fazia sentido, pois queríamos que as pessoas sentissem alguma “portugalidade” em nós… talvez fosse um ponto que nos distanciasse de outras bandas do momento. O nome funciona a meu ver, porque  causa alguma estranheza… não é uma nome de banda típico, era o nome de um programa de televisão que todos temos cravado nas memórias mais profundas. Quem ouve este nome pela primeira vez associado a uma banda rock franze o sobrolho, não grama, sente-se desconfortável durante o momento em que vagueia nas memórias (estilo “Ratatui”, o filme de animação), acena com aquele ar de quem já ouviu falar desses gajos… e depois não esquece.



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