HOUDINI BLUES ao vivo no Porto | 26 de Janeiro | Breyner 85 | 23h00

Aconteceu-lhes pela primeira vez. Nunca antes. Quando os Houdini Blues se sentaram para guardar por uns tempos F de Falso na gaveta e começar a inventar-lhe um sucessor, o que tinham pela frente era um campo completamente virgem. Não havia uma única ideia ou esboço do que quer que fosse. E então, concordaram numa direcção: Sul.

O que se seguiu foi um mergulho para dentro. Desligar os ouvidos do ruído exterior e perceber os sons latentes e fatais a uma vivência de homens do Sul. Suão é isso: um disco concebido como consequência de uma vida rodeada de calor, aridez, cânticos graves e velhos vestidos de luto. Tudo isto já comporta música. Foi apenas uma questão de extraí-la.

Mas Suão não parte da etnografia ou da museologia ou do pitoresco vendido como turístico. O Sul aqui é físico e suado, mas também lugar mítico, espaço para reflexões devedoras do Southern Gothic, de William Faulkner ou de Flannery O’Connor, inspiradas pela decadência sulista e pelas suas gentes malditas.

Suão é, para os Houdini Blues, uma cartografia do Sul, com ritmos de perdição e lamentos de salvação, resquícios africanos, árabes, sefarditas, ibéricos, com Alentejo e mineiros. É, como evitá-lo?, um disco a que agrada a coincidência fonética de solidão e sulidão. Mas é também um disco de festa, desalento e esperança.

Gravado entre 2007 e 2010, Suão foi produzido e masterizado por Armando Teixeira, e inclui dois temas com poemas de Guerra Junqueiro – “In Pace Finis” e “Divino Hugo”. A ilustração e o design são da autoria de Cristina Dias.

Pirâmide – O single de apresentação de Suão nasceu de uma cassete vinda do Egipto. “Pirâmide”, de gestação pré-Tahrir, é uma música dos dias iguais uns aos outros, dos que se adivinham antes sequer de começarem, dos que não oferecem variações ou alternativas. Até à hora em que a vida pré-determinada pode alterar-se radicalmente e até uma pirâmide, por absurdo, pode acabar invertida – porque, além do monumento, há outras formas piramidais nas relações entre os homens.

Antes

Formados em Évora, no ano de 1996, os Houdini Blues lançaram até aqui três álbuns: True Life Is Elsewhere (Lux Records, 2001), Extravaganza (edição de autor, 2003) e F de Falso (Cobra Discos, 2006).

Houdini Blues: André Rodrigues, Gonçalo Frota, Hugo Frota, João Cordeiro, Ricardo Gonçalves.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This