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Ugliness is the new Beauty

Menos por menos dá, sem dúvida, mais! Muito mais sucesso!

(Okay, antes que me caia o Carmo, a Trindade e os arredores dos trendyest spots de quem me lê  em cima, faço já aqui uma ressalva na belle Gisele, na unique Miss Moss e mais meia dúzia de top models cuja beleza é directamente proporcional ao sucesso alcançado).

Longe vão os tempos em que a passerelle e um lugar por trás das câmaras, pertenciam única e exclusivamente às chamadas “Top Models”.  Eram top porque eram perfeitas: rosto harmonioso e uma beleza clássica, num corpo delineado a 86-60-86.

Assim eram as modelos da década de 90.

Assim eram porque só assim o poderiam ser.

Mas a ala das perfeitas perfeitas não durava muito mais.

Depois de rejeitada vezes sem conta por ser baixa e excessivamente magra, Moss the boss, finalmente subia à catwalk para mostrar um novo tipo de modelo que trocaria as voltas ao mundo da moda.

A magreza, a fragilidade, a delicadeza, eram apenas alguns dos atributos, longe dos até então parâmetros de beleza, que começavam a ganhar terreno.

A Moda mudou. A Moda quer-se arrojada, a Moda quer-se diferente e no diferente cabe muita coisa, incusivé o feio. Sim o feio pode ser bonito. E é aqui que começamos a bater de cara, com toda uma legião de novas manequins que, francamente, de perfeitas têm pouco.

Vejamos: o que difere a hit model do momento – e força no hit – Lara Stone, das restantes mil e uma que deambulam os seus corpos perfeitos, lado-a-lado com a imperfeição, e ainda assim passam despercebidas? Para quem não conhece, a loira que têm sido over and over capa das grandes fashion magazines internacionais, é dona de uma dentadura com um enorme buraco entre os dois dentes frontais. E quem diz Lara, diz Jess. Também com uma enorme falha nos dentes e vítima de bocas ao pior estilo “tão grande que cabia um camião”, Jessica Stam, o que viu caber afinal foi um enorme sucesso na sua carreira.  Tudo graças aos dentes separadíssimos. Então teremos defeito? Nem por sombras. Diferenciação, uniqueness e mais um par de características que automaticamente as lançam para o topo. Mas as top dos dentes separados não desfilam sozinhas. Modelos sardentas, de testa grande e olhos distantes, à partida, a anos luz do conceito de beleza convencional, são agora as hit models do momento. Com centenas de modelos perfeitos nos books das grandes agências, as características ímpares podem distinguir um modelo da multidão. “Estando no mercado há tanto tempo aprendemos que muitas vezes as pessoas com as ditas imperfeições, são precisamente as que mais se destacam”, diz Matthew Anderson, director de Chadwick Model Management, em Melbourne. E acrescenta: “muitas vezes, as raparigas chegam e dizem “preciso de operar o nariz, preciso de fazer isto e aquilo”, e nós dizemos “não, não faças isso, é precisamente o teu nariz que faz a diferença. Raparigas bonitas há por aí aos pontapés””.

Stone e Hart, são apenas mais dois grandes exemplos no meio de tantos que alcançaram o estrelato graças às suas peculiaridades.

A britânica Lily Cole e as suas sardas, o terror da infância; Geema Ward, tantas vezes chamada de “alien face”, e os seus olhos arregalados, olhos esses que nem por  acaso foram 24 vezes capa da Vogue, para não falar nas inúmeras campanhas para a Prada, Burberry e Calvin Klein.

Enfim, todo um exército de imperfeições que abre desfiles, ilustra as grandes capas das maiores edições de moda e remata fechando as campanhas da estação. Portanto, vistas as coisas e feita as contas, o resultado está à vista: menos por menos dá, sem dúvida, mais! Muito mais sucesso!

Agora começo a perceber: há uns anos atrás, numa curta fase enquanto modelo, olhava para as minhas fotografias do book e não amava, não delirava. Dentes irritantemente direitos e olhos grandes, tudo no sítio… not!



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