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Undercover + Nike

Jun Takahashi: Sampler de tendências. Créateur, terrorista. A Nike meteu-se com ele. O resultado vai sair caro!

‘Nos últimos dois anos tornei-me um ávido corredor. É como uma espécie de meditação mas com adrenalina à mistura. Alguém na Nike soube das minhas corridas e trouxe da ideia do projecto até mim’ conta Jun Takahashi, 41 anos, mentor da Undercover, ao style blog da Esquire online, este fim-de-semana e a propósito da Gyakusou – a joint venture com o gigante corporativo desportivo pelo qual temos o amor mais duradouro e inexplicável de sempre. A expressão Gyakusou refere-se a uma ideia de correr ao contrário, em sentidos contrários aos que seriam o fluir dos atletas que povoam o running land  – exactamente o que faz o próprio Jun com o seu grupo de treino nos parques de Tokyo.

Para quem não conhece Jun Takahashi e a Undercover, não se pode dizer que esteja ao lado de Issey Miyake, Watanabe, Yohji Yamamoto ou de Comme des Garçons (Rei Kawakubo apoiou-o incondicionalmente no início), mas há uma reputação que está a ser construída nesse sentido, há regras que já foram quebradas só por ele e todo um percurso bastante singular que o colocaram no panorama das marcas alternativas mas bem inacessíveis dos últimos anos, estando disponível nos mercados globais, nas principiais capitais do consumo de moda, tendo, na sua base japonesa ganho todos os prémios de moda que há para ganhar tendo começado a sua carreira em 1993, abrindo uma loja no bairro trendy da capital nipónica: Harajuku, oferecendo às vítimas da moda locais um inusitado misto de punk oriental, na linha do streetwear.

A Undercover ganha visibilidade global em 2006 com a colecção de Inverno, onde os looks disparados na passerelle mostram manequins de cara tapada evocando para muitos dos críticos de moda, as torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib. Sem reclamar conotações políticas ou de envolvimento da moda com problemas humanitários, polémicas que vencem sempre, a junção desta indústria com o lado oposto, distante do seu motor; Jun Takahashi demitiu-se dessa missão mas ficou com todos os créditos e é a partir desse momento que o seu papel de anti-establishment se torna, paradoxalmente, aceite e comercialmente muito viável. Hoje, mais de 30 lojas no oriente traduzem uma filosofia de retalho que é literalmente a ideia de ‘undercover’ onde as lojas parecem estar escondidas, sob disfarçe, em vez de quererem marcar a diferença em relação às suas vizinhas.

Em relação à super colaboração com a Nike acrescentamos que, na lógica de correr ao contrário (do trânsito), a colecção é composta por peças em materiais ultra-leves e frescos – tecidos high-performance a que a empresa de Portland já nos habituou – mas em tons de terra, beges e cremes que são marcados pelos reflectores obrigatórios nas guarnições e costuras, em fortes tons das cores de azul e encarnado. Ainda à Esquire Takahashi acrescenta ‘quando eu ia comprar roupa de corrida de outras marcas faltava alguma coisa. As roupas não eram práticas, as cores era muito berrantes e atraiam demasiada atenção. Eu queria harmonia na minha colecção, cores que se misturassem no ambiente, tecidos silenciosos quando em movimento. Harmonia. Este era um dos pontos mais importantes para mim.’

No que diz respeito aos preços, um hoddie pode custar cerca de €269.00 e os ténis Lunarspider LT custam €179.00. Podem ser encontrados em algumas lojas oficiais da Nike à volta do mundo e nas lojas da Undercover.



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