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Yo La Tengo | “Fade”

Quando a música não se desvanece

O arranque do ano discográfico fica marcado pelo lançamento do novo registo dos Yo La Tengo, “Fade”. Isto porque a banda de New Jersey se trata, sem margem para dúvidas, de uma das chaves-mestras do rock alternativo das últimas três décadas. Muito subtilmente – nunca aspiraram a criar alarido e muito menos quiseram as luzes da ribalta – a sua influência explica-se não só pela verticalidade geracional (que continua, devidamente, a criar novos admiradores), mas também pela sua capacidade de constante reinvenção. E, quase trinta anos volvidos, os Yo La Tengo amadureceram (sem cessar, diga-se), mas não oxidaram.

Em boa verdade, porque comportam quase um complexo de Midas; se não veja-se: vagueavam pelos terrenos do shoegaze quando o catapultaram para terrenos mais ambiente (em “Painful”); canalizavam todas as influências (e não são poucas) e com a mistura compunham um dos melhores discos da segunda metade dos 90 – “I Can Hear Heart Beating as One”.

Já com “Popular Songs”, vão três anos, tinham extravasado os seus próprios limites e construído músicas pop de forma tão singular como eficiente – salve-se a trilogia final, que recuperava as sonoridades ambientais e as esticava num experimentalismo instrumental desarmante. Com “Fade”, voltam a esta sonoridade cruzada da pop, mas agora trazem luz por entre as persianas.

“Fade” é um disco alegre. É um disco a média-luz, em final de dia solarengo. Mas ainda assim é um disco que continua a reflectir a maturação uma banda sem grandes paralelos no seu meio: fala-se sobre essa coisa extra-terrestre que é o crescimento (“But nothing ever stays the same, nothing’s explained, ‘cause this isn’t the road we know”, dizem-nos em coro em «Ohm»), sobre as respectivas expectativas (na fabulosa «Is That Enough?»); mas também reencontramos alguma inocência que brota em faixas como «The Point of It» ou «Before We Run». E também não é por aí que se esgotam as hipóteses: basta atentarmos na fabulosa «Cornelia and Jane», expressão do desencanto musicado por alguém que tem um coração muito grande.

Por estas razões, vale a pena vasculhar para além dos singles para encontrar um álbum espantoso, que quase peca por chegar na estação do ano errada, mas acaba por trazer consigo o raio de Sol que antecede a Primavera.

Os Yo La Tengo apresentam “Fade” na Aula Magna no próximo dia 1 de Março.



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