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PORTUGAL FASHION ‘ORGANIC’ FW 14-15 | DIA 1

Tailoring Urbano, Ilusão da forma, Mulheres guerreiras, Postura Samurai, Silhuetas estruturadas e de histórias por desvendar - foram o primeiro line up desta 34ª edição do Portugal Fashion.

Foi na Ribeira do Porto que nos tornamos todos alfandegários de um conjunto de tendências que prometem locupletar a próxima estação de Outono/Inverno. Conduzidos pela visão e habilidade de Júlio Torcato, Luís Buchinho, Daniela Barros, Hugo Costa e Anabela Baldaque, este início do Portugal Fashion, foi não só um orgânico encontro entre mentes criativas, mas também uma literal passerelle do talento nacional.

Primeiramente conduzidos pelo traçar aristocrático de Júlio Torcato, vimos manequins desfilar materiais como – puras lãs, lãs lavadas, brocados de seda, caxemira, algodão e poliamida – sob uma estética de uniformes retro e de um decadente luxo senhoril. – Castanhos, pretos, verde-escuros, marinhos e azuis royal – decoraram uma silhueta que é formal, mas também acompanhada de apontamentos descontraídos, que fundamentam o conceito da colecção: “tailoring urbano”.

 

Luís Buchinho “Untitled” é uma colecção inspirada no trabalho do fotógrafo e pintor parisiense Georges Rousse. Traz-nos a ilusão das formas, que por meio de distorção ou ocupação, criam realidades provenientes de outras já existentes. O trabalho da cor é o factor maioritariamente responsável por esta construção arquitectural: pretos e brancos predominam, sendo moldados por rosas e azuis. Quanto aos materiais – plissadas, tweeds dupla face, peles e acabamentos de pele, tricotados, plissados com estampados e, tecidos de visível inspiração masculina – conferem aos coordenados o já habitual conforto de vestir uma peça Luís Buchinho.

“Dalka” de Daniela Barros é uma interpretação contemporânea da mulher guerreira. Silhuetas fortes e austeras marcam uma forte androgenia, femininamente contrariada com transparências e recortes. O leque de cores acompanha o design das peças, sendo as cores escuras – preto, cinza e azul – mais predominantes em relação ao branco que vem trazer um toque de leveza à colecção. A tridimensionalidade está também presente e reflete-se nos blocos de cor achatados pelas impressões geométricas. Os materiais tecnológicos distinguem-se dos naturais (seda) e o casaco é, uma vez mais, – a assinatura da colecção.

Quase no final da noite, foi tempo de viajar para o Oriente na companhia de Hugo Costa. – “Bushido” não é só o nome apelidado à sua colecção, mas também uma forma de estar e ser, Samurai. Foi na submersão por entre esta perspectiva de vida que vimos surgir uma colecção rica em volumes exagerados, mas proporcionalmente funcionais, concebidos em materiais convencionais e tecnológicos. Os pretos e brancos têm um declarado papel principal, mas temperam-se na companhia do laranja total que surpreendeu nos últimos momentos do desfile.

anabela

 “4 horas antes”– são histórias. Histórias contadas por Anabela Baldaque numa mistura de cor, abrangência de texturas e imaginação. – Os boucles, fazendas grossas, pontos jacquard, pelos longos, efeitos de prensada, mousselines, sedas e, telas tecidas à mão – ganham intensidade quando aliados ao – cinza, dourado, verde bosque, amarelo, castanho cobre metálico, preto e rosa. A silhueta feminina define-se como ampla, estruturada e coberta de movimentos soltos. Os casacos são claramente um elemento forte, mas não isoladamente. – Forma de aberturas insólitas, cintos versáteis e bolsos de grandes proporções ganham igual destaque.

Meia-noite: os desfiles terminam. A multidão dispersa. Paira no ar o fresco fervilhar da criatividade imparável. As pessoas sorriem. Apressam-se. O frio recebe-nos no exterior.

 

Fotografia de Pedro Castro



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