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Três Quinze Dias

Tradição & Inspiração.

Existem expressões idiossincraticamente portuguesas que têm tanto de intraduzível como de capacidade sintética, conseguindo resumir no imediato estados de espírito ou pequenos episódios do quotidiano: “Ele há cada uma…” talvez seja a “saudade” destas expressões… sabemos o que querem dizer mas… e explicá-las?

E Três Quinze Dias? “uuuuui isso vai demorar uns três quinze dias…” Pois bem, sabemos imediatamente que vamos esperar bastante mas… quem espera sempre alcança (há chavões para tudo, não há?). E as irmãs Colaço alcançaram.

O restaurante-bar Três Quinze Dias fica em Setúbal e a RDB conversou com Inês Colaço, uma das duas responsáveis pela sua gerência. O nome foi retirado de um lote de expressões “portuguesas tipo mil nove e um, novecentos e troca o passo…” coisas assim, revela, “foi tirado à sorte e foi um dos nomes que não queríamos… tínhamos 8, por aí… e… estava lá, tínhamos de tirar um e às tantas saiu seis vezes de seguida e nós pensámos “ok, tem mesmo de ser Três Quinze Dias”.

Quem chega ao restaurante localizado na movimentada Avenida dos Combatentes encontra um espaço inspirado no estilo “casa da avó onde o conforto é aliado à cozinha portuguesa, coisas tradicionais portuguesas que se estão a perder, mesmo em termos de decoração”. O edifício foi escolhido com cuidado, de modo que a própria arquitectura fosse adaptável ao conceito; está repartido em 3 zonas distintas: “a ideia era criar uma sala mais boémia, a da entrada, uma sala mais escura intimista onde as pessoas se sentassem a beber vinho; a sala principal era suposto ser uma sala mas rica por isso tem aqueles lustres enormes, com os sofás; e a sala do fundo que era suposto ser a mais pirosa de todas, com os naperons e andorinhas… aqui não se vende fiado. A estes junta-se ainda um readaptado pátio interior”.

O resumo de toda uma portugalidade reconfortante é ajudado pela conjugação de diversos elementos decorativos “muitos deles reutilizados, outros mesmo apanhados do caixote do lixo e recuperados, outros comprados em antiquários e velharias, desde Sintra ao Algarve”. Inês confessa: “sou uma recolhedora nata, ando sempre a apanhar coisas do lixo e sempre que vejo coisas que me interessam compro!” É o imaginário dos sabonetes de alfazema, restaurador capilar Olex, Farinha 33, bricabraque e bibelôs típicos, cadeiras de diferentes formatos e tipologias que nos envolve mais que nos confunde.

A viagem gastronómica começa logo ao pequeno-almoço e prolonga-se ao longo do dia com um destaque para os petiscos: “o tipo de restaurante não é o ideal para vir jantar em grupo, apesar das pessoas gostarem de o fazer, acho que não é essa a ideia, até como são tudo produtos frescos e feitos no momento e são demorados, portanto num jantar de grupo não resulta muito bem. São petiscos que se estão a perder como pataniscas, peixinhos da horta, ovos com farinheira que quase não se vê em lado nenhum”.

No entanto, já existe clientela fixa e diversa: “conseguimos ter público completamente diferente: de manhã temos as pessoas que vão trabalhar, na faixa dos 40 anos, na hora do almoço temos todos os serviços aqui à volta a almoçar; à tarde velhinhas que tomam o chá e scones, e depois à noite temos variadas pessoas desde as mais novas às mais velhas…”

O clima nocturno da cidade Setúbal não tem surgido nas notícias nacionais pelos melhores motivos, mas quem habita a cidade sabe que não é a regra e a inauguração do “Três Quinze Dias” tem sido bem recebida pela população. Inês afirma que “está a correr melhor do que estava à espera. Acho que as pessoas aderiram e a ideia era criar um sítio onde não só se pudesse vir comer qualquer coisa, mas também ficar a beber vinho tinto com os amigos e a conversar… não era para sair à noite mas uma preparação para sair à noite”.

A manutenção de um bom momento é sustentado pela imaginação e o espaço alberga lugar para exposições de jovens artistas plásticos com ligações à cidade num protocolo com a Câmara Municipal de Setúbal – 2009 trará o prolongamento desta iniciativa e o lançamento de um sítio na internet.

Não adiem “Três Quinze Dias” uma visita para ver, beber e comer bem.



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