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“A Casa Negra” | Peter May

Thriller habitado por dramas individuais

Porque nem só do triângulo gélido composto pela Suécia, Noruega e Islândia se alimentam os leitores de policiais, chega-nos da montanhosa Escócia aquele que será um dos mais sérios candidatos a thriller do ano com edição nacional.

Livro um da chamada Lewis Trilogy, “A Casa Negra” (Marcador, 2014) é o primeiro livro de Peter May a conhecer edição portuguesa, esperando-se que seja apenas o início de uma longa relação literária. Isto porque, para além de oferecer uma trama de se lhe tirar o chapéu, este é um daqueles livros habitado por personagens fortes, carregadas de dramas individuais.

Estamos na Ilha de Lewis, um dos mais desoladores e belos lugares de toda a Escócia, onde a religião é ainda olhada como um temor constante (e diário)  a Deus. Quando um assassinato sangrento na ilha revela algumas semelhanças a um caso ocorrido em Edimburgo algum tempo antes, o detective da polícia Fin Macleod é enviado para o investigar, ainda que na Ilha façam todos os esforços para o despachar rapidamente de volta.

Com a vida sentimental de pantanas, Fin tem agora de regressar ao lugar da sua infância, ao pequeno mundo que havia deixado para trás mas que, na verdade, esteve sempre dentro dele, ainda por arrumar: a mulher da sua vida, que por falta de jeito ou de coragem ficou pelo caminho; o melhor amigo, de si afastado pelo destino e pelo fraco desempenho escolar; e recordações semi-adormecidas, que o presente vai tratar de desenterrar revelando muitas sombras e nódoas negras.

A escrita de Peter May é impecável, com uma alternância entre passado e presente que vai adensando a trama ao ponto de, quando tem lugar a ida anual ao traiçoeiro rochedo chamado An Sgeir, fiquemos também nós, leitores, suspensos sobre o abismo, apenas com as aves por companhia. Que o segundo volume chegue depressa.



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