“Porta dos Fundos”

“Porta dos Fundos”

Serventia da Casa

Na introdução a “Porta dos Fundos” (Marcador, 2013), Luis Fernando Veríssimo diz que «a história do humor brasileiro foi uma espécie de desnudamento progressivo.» Isto, não no sentido de que o humor moderno brasileiro seja hoje uma pouca vergonha de nudez e sexo desenfreado mas, antes, pelo facto de ao longo dos anos se ter despojado de acessórios e estereótipos redundantes, fossem eles «o colarinho largo e o nariz vermelho do palhaço do circo, a roupagem caipira e o dente preto das duplas sertanejas», ou, ainda, « a maquilhagem exagerada do cômico de teatro de revista.»

Nascido na Internet há cerca de um ano como forma de garantir uma total independência em relação à escrita e ao objecto do humor, o canal de televisão Porta dos Fundos no youtube tem, na altura em que este artigo está a ser escrito, 6.738.255 subscritores. Para além da aposta no mercado brasileiro e de língua portuguesa – alguns dos elementos do Porta estiveram recentemente em Portugal a promover o livro – há, agora, o desejo de exportação, patente na legendagem dos vídeos na língua inglesa.

O que fez do Porta dos Fundos um programa de culto que ultrapassa já as fronteiras nacionais brasileiras? Muito provavelmente o facto das situações retratadas serem muitas daquelas que se atravessam na nossa vida diária, seja no local de trabalho, na vida amorosa ou, em complemento, no ideário ficcional com que temos crescido ao longo dos anos, viajando da Bíblia ao Star Trek. E, claro, o facto de contar com excelentes argumentistas, actores e actrizes, que transformaram o Porta num antro humorístico pelo qual há que passar, pelo menos, uma vez por dia para deixar o astral no ponto máximo superior.

O livro, agora lançado em Portugal, apresenta o roteiro televisivo de alguns dos sketches de eleição, onde cada um deles surge sempre acompanhado de uma fotografia dupla com o título (o que facilita a posterior procura no youtube), uma pequena introdução sobre o tema – ou a sua idealização – e fotografias mais pequenas a acompanhar o guião televisivo, onde se incluem os improvisos que o elenco teve durante as suas gravações. Como às tantas se pode ler na introdução ao livro, quem não gostar do humor do Porta «só pode ser uma pessoa muito sozinha que está querendo atenção (ou rola).» Pura verdade.

Uma livro que será uma peça de coleccionador para os já convertidos ou, em alternativa, um excelente cartão de visita para a leitura de alguns dos sketches do programa humorístico do momento. Agora, o acesso ao humor brasileiro não precisa de grandes néons ou passadeiras vermelhas: faz-se, antes, pela Porta dos Fundos. É entrar.



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