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“A Grande Sombra Loira”

Reconstruindo Florbela.

O Negócio recebe a partir do dia 16 de Outubro a primeira encenação do actor Tiago Barbosa, um trabalho que parte dos sonetos de Florbela Espanca, apresentando uma proposta no mínimo surpreendente para voltarmos a olhar para o trabalho da poetisa.

A performance recai sobretudo no trabalho de actor privilegiando as componentes de corpo e voz. A sua modelação dá uma forma completamente diferente da que habitualmente seria retirada daqueles textos, o seu lado histriónico é o que vai ligando as diferentes nuances do espectáculo.

O actor, inicialmente, achava a poetisa “exaltada demais, demasiado exclamativa. Os seus dramas, com todo aquele sentimento, soavam-me histéricos e melosos”. Depois de, por causa de outro trabalho, ter sido obrigado a decorar um dos sonetos de Florbela a sua opinião mudou de repente e completamente: “Em pouco tempo fervia de exaltação. Berrava! Explodia em fúria dramática!”. A partir daqui leu todos os seus sonetos e sentiu que devia fazer qualquer coisa com aquela obra, não sabia o quê, mas era preciso deixar de ignorar aquela força drmática que tinha descoberto.

“Este espectáculo foi progressivamente sendo construído ao longo dos ensaios, não havia uma ideia já completa de ínicio, o próprio final ainda está em construção, em descoberta”. O objectivo do actor/encenador não foi anular a forma “aparentemente pirosa” daqueles versos, foi explorar as sensações, o conteúdo de outras perspectivas, foi dar um corpo possível à poetisa, dar-lhe um tipo de voz.

Tiago Barbosa diz-nos também que não foi sua intenção apresentar a Florbela enquanto mártir, suicida, diz que não lhe interessou para este processo criativo a vida da poetisa, não a foi pesquisar, porque mais lhe interessava a persona criada por ela nos seus sonetos.

“Só agora, passado este tempo todo, a ouvia, lhe sentia a força dos sentimentos. Rendi-me. […] E fui à procura dela (a dos sonetos)”

Podemos dizer que este espectáculo nos mostra a Florbela de Tiago Barbosa, mais do que a Florbela dos sonetos que conhecíamos, mostra-nos o drama presente na sua obra tornado físico, mostra-nos mais o que o encenador retirou da poetisa, do que o que ela nos deixou: “O sangue e as vísceras da Florbela substituíam-se aos meus! Que horror! Que maravilha! Que terror! Florbela!”

 

A Grande sombra Loira, de Tiago Barbosa
no Negócio de 16 a 26 de Outubro – Quarta a Sábado às 21.30

 

Ganha convites duplos aqui.

 

Fotografia de Luis Martins



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