“Velhos Adversários” de John Grisham
Mentiras, traições e desilusões
‘Velhos Adversários’, de John Grisham (Bertrand, 2023), segue a linha narrativa já conhecida de Grisham, mas num estilo um pouco diferente. Histórias, fora das salas de tribunal, mas com as habituais intrigas e drama.
Grisham, autor americano, de 47 ‘bestsellers’ consecutivos, com 300 milhões de livros vendidos mundialmente, traduzidos em mais de 50 línguas, e considerado o mestre do ‘thriller’ jurídico, aborda, em muitas das suas obras – muitas delas adaptadas ao pequeno e grande ecrã -, os problemas do sistema judicial criminal dos Estados Unidos da América.
É, atualmente, membro do conselho de duas organizações, Innocence Project e Centurion Ministries, que se dedicam, precisamente, a ajudar aqueles que foram condenados injustamente.
É esse, como não poderia deixar de ser, o foco desta coletânea.
Três anos antes, a cidade fora abalada pelo escândalo ao saber-se que Mack Stafford, um advogado conhecido com escritório na praça, se tinho ido abaixo, declarara falência, divorciara-se da mulher e abandonara a família a meio da noite.
Em Regresso a Casa, surge, novamente, um Jake Brigance, fora das salas de tribunal de Ford County, aqui envolvido nas confusões e peripécias de outro advogado, seu conhecido, Mack Stafford.
Confusões essas, que podem colocar em risco qualquer um que tenha contacto com Mack.
Um crime, leva Mack a fugir sem nunca olhar para trás, abandonando a ex-mulher com duas filhas para criar, Margot e Helen.
Três anos depois, e em nada arrependido dos seus atos, mas com desejos de voltar a Clanton para ver as filhas, Mack contacta Jake e o que se segue é um sem fim de processos que podem levar qualquer um dos envolvidos à cadeia.
Conseguirá Mack fugir dos seus crimes? Ou será desta que se lhe acabou a sorte?

Foi preciso um processo judicial federal para conseguir as prateleiras para a coleção de livros de Cody, quase dois mil.
(…) A ficção levava-o a outros mundos, outros lugares, e ele passava a maior parte das suas vinte e três horas por dia na solitária com o nariz enfiado num livro.
Em Lua de Morango, Cody está há quinze anos na cadeia, mais precisamente no corredor da morte. Preso, quando ainda era menor, a sua vida tem sido passada dentro daquelas quatro paredes, onde só o seu espírito é livre para viajar no mundo dos livros que lê.
Mas agora com uma contagem decrescente até à sua execução, Cody começa a recordar antigos colegas de celas vizinhas e o porquê de se encontrar ali, enquanto aguarda pelo resultado do último recurso, de entre muitos, para ver se salva.
Conformado, Cody revela o seu último desejo a Marvin, guarda-prisional. Ele deseja poder ver a lua.
A firma de advogados Malloy & Malloy já ia na terceira geração e, pelo menos aparentemente, estava a prosperar bem, apesar de um lamentável escândalo no passado recente.
(…) Dentro de portas, contudo, as coisas não estavam a correr bem.
Em, Velhos Adversários, história que dá o título ao livro, dois irmãos, Kirk e Rusty, que não conseguem entender-se, nem tolerar-se, ficaram ao encargo da sua firma familiar, Malloy & Malloy, depois do pai de ambos ser preso.
Juntos, mas, ao mesmo tempo, cada um com o seu próprio estilo, a sua própria equipa legal, aliados à sócia não oficial, Deantha Bradshaw, têm que evitar que a firma entre na ruína e só sobrem migalhas.
Mas para resolver uma situação que os alarma, os irmãos metem-se numa confusão tremenda, que pode fazê-los cair em desgraça, mais rápido do que imaginam.
Será que Diantha irá aceitar a ideia deles, ou será desta que irá pensar nela e proteger-se dos Malloy?
‘Velhos Adversários’, de John Grisham, apresenta três histórias distintas em tom e temática (advogado corrupto em fuga, jovem no corredor da morte e irmãos rivais na sociedade e na vida), mas com um fio em comum, o sistema corrupto, os subornos para atingirem os seus propósitos ilegais, dramas familiares e profissionais, onde a palavra de ordem é traição.
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