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AC/DC @ Lisboa (7.5.2016)

Moldados pelo Rock, contra tudo e contra todos

A tarde antes da passagem dos AC/DC por Lisboa, depois do duplo anúncio da saída de Brian Johnson das tournées e entrada em cena de Axl Rose, reflecte bem o sentimento que pairou no ar nas semanas anteriores. No messenger do Facebook, um amigo dizia-me que não tinha vontade nenhuma de os ver e já só queria vender os bilhetes enquanto que noutra janela da mesma ferramenta outro amigo mostrava-se extasiado com a ideia e confiante de que São Pedro ia dar uma ajuda mesmo quando o concerto começasse, enquanto dizia “OK, é só Rock”.

Depois de umas mensagens trocadas, o primeiro convenceu-se e chegou ao recinto às 18h00 para ficar na linha da frente do palco (para quem não queria ir há que louvar o espírito de compromisso), enquanto que o segundo aguentou os atrasos deste escriba e perdeu a actuação dos Tyler Bryant & The Shakedown enquanto os Deuses do Rock ordenavam que a chuva e o vento acalmassem.

Já dentro de um recinto totalmente repleto de fãs não pude deixar de sorrir ao ouvir os Rolling Stones nas colunas a afirmarem “But it’s all right now, in fact, it’s a gas!” antes da interrupção de «Jumping Jack Flash» e início da aterragem dos AC/DC em palco, caricaturada por imagens de astronautas, chamas e o embate de um cometa.

A prova dos 9 começa com Angus Young no palco e os acordes iniciais da recente «Rock or Bust» a soarem maravilhosos até que Axl pergunta-nos se estamos prontos e aparece sentado no seu trono (não era o que Dave Grohl lhe emprestou inicialmente) não voltando a falar até ao final de «Shoot to Thrill», altura em que gracejou com a repentina mudança de tempo para logo a seguir disparar «Hell Ain’t a Bad Place to Be». Logo aqui se notou um certo distanciamento do público para com o vocalista dos Guns N’ Roses; Axl não conseguia com as palavras um terço do que Angus conseguia sem abrir a boca, colocando apenas as mãos junto aos ouvidos. Era como que estivessem resignados com o facto de estar a cantar no lugar de Brian Johnson mas não quisessem dar o braço a torcer quando Axl tentava puxar por eles.

Axl não parecia minimamente importado e continuava no seu “trono” a dar tudo o que tinha e a demonstrar que não queria de todo substituir ninguém, apesar de claramente estar a encarnar uma persona que ocasionalmente lhe escapava. Sim, volta e meia enganou-se no momento certo de entrada em cena e em algumas letras e o registo caiu ocasionalmente para os tempos de Guns, mas foram casos isolados numa performance invejável. E com o suporte dos irrepreensíveis Angus e Steve Young, Cliff Williams e Chris Slade esses momentos nada foram.

Em ritmo e volume impróprio para cardíacos (há que dizer que nunca algo naquele palco soou tão bem), o concerto continua até que Axl anuncia «Rock ‘n’ Roll Damnation», raramente tocada ao vivo, contando como foi proibida de passar na rádio. Acelera com êxitos como «Thunderstruck» e «Hells Bells» – com direito a sino a pairar por cima do palco – até ao fim de «Sin City» com direito a solo da gravata de Angus e pausa para respirar antes da aclamada «You Shook Me All Night Long».

«Shot Down in Flames» é introduzida como a música que os AC/DC escreveram sobre a vida de Axl e «Let There Be Rock» conclui a primeira parte do espectáculo, mas não sem um Angus Young a testar a capacidade das colunas e dos amplificadores correndo pelo palco todo e subindo para cima destes para terminar no já clássico rodopiar no chão com explosões de confettis.

Pequena pausa e falsa despedida com Axl a sair pelo seu próprio pé sem muletas antes do único encore do concerto. Não podíamos pedir por mais nem por um final melhor, com «Highway to Hell», «Riff Raff» – ausente dos concertos desde 1996 – e «For Those About to Rock (We Salute You)» com direito a um fogo-de-artifício digno da passagem de ano no Terreiro do Paço.

No final, as vozes da discórdia pareciam mudas e ausentes e o único sentimento no ar era o de que tinha sido uma noite de Rock que ficará para a História e que a prova estava superada. Resta saber se a prova era apenas dedicada ao resto da tour dos AC/DC ou também a um possível regresso dos Guns ‘N Roses à estrada ainda este ano.

Set List

«Rock or Bust»

«Shoot to Thrill»

«Hell Ain’t a Bad Place to Be»

«Back in Black»

«Got Some Rock & Roll Thunder»

«Dirty Deeds Done Dirt Cheap»

«Rock ‘n’ Roll Damnation»

«Thunderstruck»

«High Voltage»

«Rock ‘n’ Roll Train»

«Hells Bells»

«Given the Dog a Bone»

«Sin City»

«You Shook Me All Night Long»

«Shot Down in Flames»

«Have a Drink on Me»

«T.N.T. »

«Whole Lotta Rosie»

«Let There Be Rock»

Encore

«Highway to Hell»

«Riff Raff»

«For Those About to Rock (We Salute You)»



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