Andy Warhol e Marshall McLuhan

Andy Warhol é o Pai de todos os embustes artísticos do Século XX.

Foi em 22 de Fevereiro de 1987 que a maior fraude ambulante do mundo da arte morreu. Andy Warhol dedicou a sua vida a uma única causa: a glorificação da banalidade, tornada arte pela varinha mágica dos mass media. Nesta data simbólica do desaparecimento físico da mentira tornada verdade através da legitimação típica da indiferença burguesa, vale a pena falar e pensar sobre este espinho atravessado na mente dos puristas da arte. Espinho tanto mais incómodo, quanto é certo que, aqui, em vez de arte existe dinheiro. Os Big- Brothers começaram nesta ave rara. Rara de esquisita, e não de talentosa, esclareça-se…

Não posso deixar de comemorar a data da sua morte – e não a do seu nascimento. Para bom entendedor…

Desde a ideia de banalização da arte (ou seja, da sua falsa democratização, atribuindo a tudo o que mexe talento natural para fazê-la com sabedoria, sentido estético e histórico), passando pela deturpação dos ready- made de um Duchamp que nunca se deu ao trabalho de desmistificar o que quer que fosse, até à inspiração dos Big-Brothers, das revistas cor-de-rosa (os tais 15 minutos de fama para todo o gato-pingado deste mundo e arredores), nada escapou a esta fraude ambulante.

Além da fraca produção artística de Warhol, também a forma como subiu no mundo da arte nova-iorquino não está isento de dúbios favores do submundo Gay que ele tão bem conhecia, o que vem desvalorizar ainda mais (se tal fosse possível…) a sua quase inexistente “obra”.

Se Warhol é um profeta da arte, é-o apenas da sua banalização, pois que transformou a Galeria de arte num gigantesco supermercado de coisa nenhuma.

A arte tem de provir da Necessidade Interior – ensinamento de Wassily Kandinsky – ora, este ensinamento está totalmente em contradição com a mensagem publicitária e panfletária de um Warhol obcecado por dinheiro.

Aquilo que em Duchamp é mental, em Warhol é ostentação; aquilo que em Kandinsky é interior, em Warhol é exteriorizável; aquilo que em Bacon é contenção, em Warhol é espectáculo, vaidade.

Ao contrário do que ele próprio pensava nas célebres mas infames entrevistas que dava, o espectador apenas é enxovalhado por quem pode, e não por quem quer humilhá-lo.

Pensar que se pode manietar a opinião pública e generalizar a ideia do que é belo é tentar desprezar o público a tal ponto em que ele deixe de ter pontos de referência válidos, e passe a ver somente cifrões à frente dos olhos: se vende é porque deve ser bom, se não vende não presta. E viva o consumo!!! Venham mais cinco, que estes estavam bons!!!

Andy nunca foi um artista; este ser foi apenas um hábil comerciante que usou e abusou de forma nojenta dos mass media, levando-os a acreditar na sua valia artística, algo em que nem ele próprio acreditava, de facto.

Além de ter tentado desacreditar a arte no seu todo, tentou também pintar; como não conseguiu passar da mediocridade, lembrou-se de produzir (“como uma máquina”- nas suas palavras) serigrafias aos montes, como se fossem latas de conserva (o seu valor também anda ela por ela), acabando por fazer um pouco de tudo, e fazê-lo pessimamente, a esse pouco que fez: filmes? – nulidade absoluta. Serigrafias? – a glorificação da monotonia, repetida até à exaustão; relações humanas? – tentaram matá-lo….

Enfim…

Existe um livro intitulado: “Se isto é um homem”

Warhol merece que o intitulem de: “Se isto é um artista”

Existe um homem sábio, um verdadeiro intelectual da nova era dos Mass Media.

Esse homem chama-se Marshall MacLuhan e a sua excepcionalmente lúcida análise é-nos essencial para compreendermos, tanto o poder dos meios de comunicação social nas sociedades burguesas ocidentais (sociedades de serviços e de novas tecnologias, pós-Revolução Industrial), como a perniciosa contribuição de Warhol para o mundo da arte da segunda metade do Século XX.

Questionar os falsos mitos do Pós-Guerra significa mantermos a perspectiva histórica e a sensatez. E MacLuhan é muito mais sensato do que Warhol foi. Sensato e honesto, intelectualmente. Ele é uma das raras pessoas que poderia ter ensinado qualquer coisa de útil a esta verdadeira ave rara.

Se as galerias portuguesas amam a arte pop – e muitas é isso que fazem – é porque arte pop significa cifrões. Muitos cifrões. E elas ADORAM repetir os erros do estrangeiro – afinal, o que é estrangeiro é que é bom.

Não é?



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