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Anna St. Louis + Marinho @ ZDB (02.05.2019)

A cantautora originária de Kansas City, residente agora em L.A., apresentou os temas do seu disco de estreia lançado em Outubro.

Maio arrancou quente, mas nem por isso desperdiçamos oportunidades de usufruir de agasalhos sonoros, como a dupla de vozes femininas que a Galeria Zé dos Bois tinha em cartaz no segundo dia do mês.

Tínhamos visto Marinho dois meses antes, num concerto em que actuou sozinha em palco aquando de umas Punch Sessions, e o salto qualitativo é monstruoso. Quer a nível vocal, quer a nível instrumental, Filipa Marinho mostrou-me muita mais segura e confiante. Logicamente que a presença de outro músico ajuda, para mais do calibre de Pedro Branco que foi pincelando adequadamente o universo indie folk da cantautora. Embora fosse a primeira vez que tocavam juntos, correu lindamente. O disco debutante “~” desponta apenas daqui a uns meses, mas na próxima semana chega o segundo single, que conta uma história infantil da autora e do seu amigo Orlando.

Em boa hora a compositora portuguesa voltou a escrever música, não se coibindo inclusivamente de cantar alguns dos seus heróis musicais, como atestam as versões que assinou para temas de Patty Griffiths ou Martha Wainwright (numa galharda interpretação de «Bloody Mother Fucking Asshole»). Ou ainda quando repesca uma das primeiras canções que fez, ainda adolescente, imbuída pelo espírito de Joni Mitchell, num saboroso exercício de americana. Perante uma respeitosa falange de amigos, Marinho marcou valorosamente a sua presença, numa sala que a própria admira, como fez por sublinhar.

A nota mais saliente da performance de Anna St. Louis é a sua postura completamente serena, algo que atravessa todo o período que se mantém em palco, sem acompanhantes. Postura que, por vezes, parece tornar o registo algo monocórdico, especialmente para quem não esteja focado a 100% na actuação. A cantautora originária de Kansas City, residente agora em L.A., apresentou os temas do seu disco de estreia lançado em Outubro e editado pela Woodsist que pertence ao vocalista dos Woods, Jeremy Earl. No entanto, o alinhamento abriu com um par de canções pertencentes ao EP que a mostrou ao mundo, ainda antes do longa-duração “If Only There Was a River”.

Para além de nos ter brindado com uma canção ainda não publicada, Anna St. Louis não quis ficar atrás de Marinho em termos de homenagens musicais, e interpretou igualmente um cover de uma das suas maiores influências, no caso um original de Townes Van Zandt. E, coincidência ou não, foi realmente o tema que saiu ligeiramente do tom geral do concerto.

 

Alinhamento

ANNA ST. LOUIS

– Mercy
– 288
– Understand
– (canção nova)
– The Bells
– Wind
– Mean Love
– Loretta (Townes Van Zandt cover)
– Water
– Fire

(encore)
– Paradise
– River



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