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Au Revoir Simone @ Aula Magna

5 de Outubro de 2009. Batidas suaves e vocalizações angelicais misturadas com alguns (poucos) momentos mais alegres.

Há um mês – mais coisa menos coisa – assistimos a um concerto de Nite Jewel na Galeria Zé dos Bois. Jewel não goza da exposição das Au Revoir Simone, mas revela alguns paralelismos inegáveis. Os teclados como peça fundamental, a (quase) ausência de guitarras e uma música com uma estrutura muito dada a pragmatismos. As Au Revoir Simone misturam, essencialmente, batidas suaves e vocalizações angelicais com alguns (poucos) momentos mais alegres.

“Parece que estamos nalgum workshop de Biologia e não num concerto de rock”, brinca uma das três meninas, referindo-se à acústica da sala. De facto, o concerto acabou por lhes dar razão. As Au Revoir Simone revelaram-se um pouco estáticas. A forma como estão dispostas em palco talvez não seja a melhor solução mas, por outro lado, dá uma ideia de igualdade entre as três. De quando em vez adicionam instrumentos de ritmo, pandeireta e, mais frequentemente, um prato (de bateria).

O elogio do grupo ao público da Aula Magna foi uma constante. Não admira, tal foi a recepção do público português. “Gostamos de pessoas que aplaudem e vocês fartam-se de aplaudir”, chegaram a referir. A destoar de uma certa linearidade que compõe o espectáculo das três meninas, surge uma canção que, segundos as próprias, é psicadélica. De facto é diferente de todo o resto. Quase não tem voz, é sombria e torna-se num dos bons momentos da noite.

Quando saíram para encore, originou-se um barulho ensurdecedor, prova derradeira do apresso do público português pelas norte-americanas. No encore mais do mesmo antes da última canção. Já lá vamos. Antes houve tempo para mais batidas repetitivas e uma canção que já não era tocada há bastante tempo. No final, na tal última canção, lançam um convite: “Quem quiser dançar pode juntar-se a nós e subir ao palco”. Largas dezenas acedem ao convite e acabam em festa, em cima do palco. Foi o último momento da noite. Bateu tudo certo para as Au Revoir Simone. Ao contrário da primeira parte, a cargo de João Coração.

De Coração sabemos que é preguiçoso o suficiente para deixar de fazer a barba durante semanas a fio. Lembramo-nos do concerto no Cabaret Maxime, no qual referiu que não tinha tido tempo suficiente para ensaiar. Voltou a acontecer quando confessou não se lembrar do início de «A balada dos Uivos». O músico sofreu também com os muitos problemas de som e com a apatia da plateia relativamente ao artista. Admite-se que se diga que as críticas entusiastas da imprensa nacional sejam exageradas. Não se admite é que problemas de som estraguem canções enormes como «Dobra» ou «Muda que Muda». Assinale-se a presença de Jónatas Pires (d’Os Pontos Negros), no baixo, e de, entre outros, a colaboração em «Muda que muda» de Silas Ferreira (também eles d’Os Pontos Negros) e Márcia Santos.

João Coração deixou o palco visivelmente furioso. Não sabemos se com a prestação, se com o som ou se com as duas coisas.



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