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Objects Of Desire

Design doesn't have to be expensive.

Alerta: Durante o desenvolvimento dos objectos, a mente não é perturbada por limites ou especificações. As ideias surgem espontaneamente, fugazes, e, tal como na sua realização, sem qualquer busca pela perfeição ou funcionalidade. O lema impresso é sempre actual: “Lifestyle money can´t buy”.

Viver numa sociedade moderna é sinónimo de se estar constantemente rodeado por uma quantidade incontável de objectos absolutamente dispensáveis. Montanhas crescentes de roupas, ferramentas, prendas, souvenirs, arte, aparelhos electrónicos e trastes empilham-se à nossa volta sem que nos apercebamos realmente disso. Nada mais do que um reflexo do tipo de sociedade que criámos.

E esta acumulação não se refere a objectos que simplesmente se desejam. Mais do que isso: trata-se de uma perseguição de imagens e sonhos (por mais que não queiramos admitir), ampliados pela lupa dos media e da publicidade. Obviamente, este consumismo desenfreado só pode conduzir à frustração (e a uma conta bancária que encolhe sem que saibamos bem o porquê, como e onde – pensando bem, talvez estes dois factores estejam relacionados).

A necessidade de uma consciência ambiental presente e a crise económica trouxeram-nos mais do que caixotes do lixo separados por cores e finanças mais controladas: esta é uma óptima oportunidade para explorar os nossos talentos criativos. O interesse, aqui, é descobrir o verdadeiro valor dos objectos e reavivar o significado da palavra exclusivo.

Tornar objectos considerados banais, com os quais nos relacionamos no dia-a-dia, em peças de design irónicas. Este é o desafio.

Revolução DIY

Desde 1999 que a revista alemã H.O.M.E. dedica mensalmente um par de páginas a Objects Of Desire, ideias úteis Do it yourself, que promovem o pensamento criativo e mudam (nem que seja por um pouco) a nossa vida. A ideia é deixar de lado as ideias pré-concebidas e a nossa opinião do que é cada objecto. Reutilizar, reciclar, criar. Como na vida, o que é hoje uma coisa, amanhã pode ser outra completamente diferente.

Qual é o impedimento de um Pit Bull se tornar um Caniche? E de um cabide se tornar um candeeiro? Nós garantimos – nenhum.

A agência criativa alemã dan pearlman ou os websites superuse.com e redesign.org são alguns exemplos de entidades que decidiram pôr de lado o stress perfeccionista das empresas “sérias” e criar receitas desafiadoras, que permitam que o comum mortal possa ter um “lifestyle that money can’t buy”.

O Pit-Kit nasceu da crescente controvérsia em redor dos Pitt Bull. Com a afirmação “Save Your Dog”, surge uma saída para a discriminação desta espécie canina. Com um look fashionista-caniche, sempre à mão no Pit-Kit, o pobre Pitt Bull já não será olhado de lado pelos mais inseguros.

O SoccerStool surgiu para ajudar outra espécie, os football addicts. O verdadeiro amante do desporto-rei não precisa de mais nada, no momento da cerimónia sagrada, do que de um bom assento e a bebida de eleição (a modesta cerveja é o elixir eleito com maioria absoluta). Bebida que chegue para um grupo de fanáticos é normalmente um problema que se ultrapassa com facilidade – o mesmo não acontece com os lugares sentados. Chegou a solução. O SoccerStool é coberto com uma confortável (?) esponja/relvado que garante acesso directo às garrafas preciosas. Só não garantimos que se mantenham geladas. Do it yourself.

BuegelFalten é a proposta que se apresenta como twist and proud. Assenta no pressuposto que o mundo dos cabides sofre de uma grande separação de classes. Uns vivem adornados com peças de alta-costura emprestadas. Outros, escondidos em armários anónimos, sustentam vestuário lavado com químicos. Com a filosofia dos objects of desire, damos uma nova vida a estes itens tão úteis: há que torcer. A partir daí, o modesto cabide tem a oportunidade de se tornar um candeeiro fashion, um original encosto para livros ou qualquer outro object of desire. A palavra de ordem é torcer.

Torcer, colar, dobrar, revirar, inventar, perceber como é que um objecto deixa de ser ele próprio para se transformar noutro. Parar o processo da super-utilização promíscua e desinteressada. Dar valor aos objectos que já se têm.

Estes são exemplos acessíveis para uma introdução à filosofia DIY (do it yourself), mas abordagens muito mais descaradas estão à disposição de uma mente aberta, criativa e com capacidade para transformar. Os links ao lado complementam este texto, e explicam com imagens o que é praticamente impossível de descrever através de palavras. É o nascimento de um novo poder.



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