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“As Vingadoras” de Fern Michaels

Quando a vida te dá limões

É precisamente isso que ocorre em As Vingadoras, de Fern Michaels (Marcador, 2021). O ponto de partida da saga da Irmandade, é daqueles que deixa marca.


Uma história de perdas e sofrimento, de um desejo por justiça, um sistema cego e surdo, que em vez de apoiar as vítimas, desculpa os agressores.
Um grupo de mulheres, que viram as suas vidas destruídas, primeiro pelos agressores e depois pela Justiça, vai unir-se e formar a Irmandade. Um grupo de justiceiras que vai tentar obter pelas próprias mãos, o que a lei falhou dar.

Se não posso ter a minha própria vingança, talvez possa fazer alguma coisa por aquelas pessoas a quem o sistema falhou.

Contrariamente ao tom romântico das outras histórias de Fern Michaels, As Vingadoras, atinge tópicos extremamente sensíveis e problemáticos, com contornos mais negros e intensos do que o tom habitual da escritora.
Uma irmandade criada em base no ódio, raiva e angústia contra um sistema falho, injusto e desigual.

Todas foram vítimas de um sistema de justiça que nem sempre funciona. Não podemos salvar o mundo e não podemos corrigir os erros que cometeram connosco, mas podemos vingar-nos. Vejo-nos como irmãs. No fundo, isto é uma espécie de irmandade, se quiserem.

A início, a situação é fragmentada e plena de atritos entre os principais intervenientes, mas lentamente começa a entrar nos eixos, e a irmandade, começa a tratar-se como a nova família que é. Uma família unida pelos mesmos desejos e objetivos, que não vai parar até os atingir.

Com Myra Rutledge como patrona da Irmandade, nada está fora de alcance, nada é impossível.

– E se pegássemos na parte que não funciona e a fizéssemos funcionar? (…) Por nós! Por todas as Maries, Kathryns e Alexis que ficaram perdidas nas malhas do sistema.

Myra Rutledge, na noite da celebração dos seus 60 anos, vê a sua vida mudar da noite para o dia, quando um carro a uma velocidade desenfreada, atropela e mata a sua filha Barbara, perante os olhares chocados de Myra, a sua amiga inseparável Nikki e outros traseuntes.
Incapaz de punir o responsável devido a tecnicismos, é consumida pela angústia e melancolia, até que assiste a uma situação nas notícias que lhe dá um novo alento.

Com uma ideia em mente, conta com Charles Martin, ex-MI6 e seu braço direito e Nikki, para reunir um grupo de mulheres que partilhem o mesmo triste destino.


O que se segue é a criação de uma “irmandade”, que terá que sobreviver a ferro e fogo, executando o seus planos à perfeição, esperando que ninguém seja apanhado.


Nikki Quinn, é uma advogada e professora de Direito na Universidade de Georgetown, melhor amiga de Barbara, criada por Myra.


Quando se vê envolvida nos planos de Myra, isso vem causar atritos entre ela e o noivo, Jack Emery.


Ambicioso, ansioso pelas luzes da ribalta, não há nada que não esteja disposto a fazer, nem ninguém que ele não esteja disposto a sacrificar, para atingir o seu propósito.


Com o primeiro alvo em vista, a Irmandade vai colocar mãos à obra e obter a gratificação que lhes fora anteriormente negada.


Mas será que tudo correrá sobre rodas? E conseguirão elas evitar ser descobertas? Com Jack Emery a seguir-lhes o rasto como um cão de caça, a tarefa apresenta-se cada vez mais complicada, mas não inexequível.


Em As Vingadoras, de Fern Michaels, “A vingança é um prato que se serve frio”. Tardou, mas a Irmandade vai punir todos os responsáveis, e, em simultâneo, tentar sarar todas as feridas abertas. O início de uma longa história sobre justiça (ou a ausência dela) e amizades improváveis num mundo injusto e imperfeito.



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