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Back to the Future – 25 anos

“Regresso ao Futuro” faz 25 anos. Atenção: contém spoilers. Aconselha-se regressar vinte e cinco anos atrás, (re)ver a triologia e depois prosseguir viagem.

Lembro-me como se fosse hoje a primeira vez que vi o “Regresso ao Futuro”: tinha sete anos, em plenas férias escolares e os crescidos tinham que entreter a criançada que deambulava lá por casa de qualquer forma. A solução foi terem ido ao video clube e trazerem o que havia disponivel para sistema beta. Lembro-me também que a cara do protagonista era-me familiar, das tardes do “Agora Escolha”, na RTP2. E lembro-me que alguém terá dito: “é do Spilberg, o mesmo do ET!”. Anos passaram, e verifiquei que o Steven Spilberg era um dos produtores do filme e que o realizador era Robert Zemeckis. Anos passaram e continuo desde aquela tarde de verão a interessar-me pelo tema das viagens no tempo. Anos passaram, e consegui ver pela primeira vez no grande ecran o “Regresso ao Futuro I”, numa das salas de cinema de Leicester Square, como forma de comemoração dos vinte e cinco anos da estreia do primeiro filme da triologia. Anos passaram, e, tenho que confessar que sai daquela sala como se tivesse visto o filme pela primeira vez.

“Regresso ao Futuro”, título original “Back to the Future”, estreou em 1985, com o argumento de Robert Zemeckis e Bob Gale. Rejeitado por algumas produtoras (uma delas terá sido a Disney), o argumento é financiado pela Universal Pictures, depois do sucesso de que o Robert Zemeckis teve com  “Em Busca da Esmeralda Perdida”, com Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny DeVito, tendo como produtor Steven Spilberg. Em 1989 estreia o “Regresso ao Futuro II” e em 1990 a triologia é concluida com “Regresso ao Futuro III”.  A história é simples: Marty Mcfly (Michael J. Fox), um adolescente de 17 anos, vive com os pais, George McFly (Crispin Glover) e Lorraine McFly (Lea Thompson), em Hill Valley. Corre o ano de 1985, e Marty é enviado para o ano de 1955, através de uma máquina do tempo, através de um DeLorean, inventada pelo Dr Emmett “Doc” Brown (Cristopher Lloyd), onde se cruza com os seus pais adolescentes e acaba por comprometer o seu presente em 1985.

A triologia do “Regresso ao Futuro”, marcou profundamente os anos 80, sendo transversal em termos de gerações: é um mundo de referências, que acabou por se tornar na “Referência”. Conta-se que Bob Gale, terá tido a ideia do argumento, quando estava a olhar para as fotografias do pai, quando este era adolescente, e pensou que gostaria de ter sido seu amigo se tivesse tido essa oportunidade. No filme, o mundo referencial que inspirou os argumentistas é constante: desde Stanley Kubrick, nos seus “Dr Strangelove or: How I learned to stop worrying and love the bomb” e “2001:Odisseia no Espaço”, passando pelo “Fúria de viver”, com James Dean, de Nicholas Ray, até ao “Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate (1971)”, de Mel Stuart. Contudo, uma das mais célebres, ao jeito de homenagem conjunta, talvez seja a referência ao “Star Wars” e ao “Star Trek”: Marty McFly aka Darth Vader vindo do Planeta Vulcano. Fora do filme, a referência “Regresso ao Futuro”, foi ganhando vida, tornando-se, infindável e perdurando no tempo: “Donnie Darko”,  “Os Simpsons”, “How I met your mother” e “Lost”, são alguns exemplos. Os fans agradecem e pedem mais.

Mas o que parece indissociável do filme, é a ideia mítica de ter um DeLorean como máquina do tempo,  que está explicado no próprio filme: “The way I see it, if you’re gonna build a time machine into a car, why not do it with some style?”

Passados vinte e cinco anos o que mudou? Porquê este aclamado regresso? A questão pode ser vista de um ponto de vista puramente económico. É inegável que o marketing que gira em torno do “Regresso ao Futuro” continua a render e que a indústria de Hollywood está bem ciente que o revivalismo está na moda, nomeadamente as recuperações do que foi produzido nos anos 80, dado que é essa geração que se encontra agora na idade adulta e tem poder de compra. É esta geração que consume, e consome, porque está nostálgica do que passou. A questão põe-se de outra forma, do meu ponto de vista. Não é suposto que assim o seja? Não fará sentido que seja  feita a devida justiça em (re)ver o que já foi, no grande ecran? Para os mais entusiastas, a resposta será certamente afirmativa, mas também é este o público alvo que se pretende atingir e não outro. No seu limite, a reposição dos três filmes no grande ecran acabaria por fazer mais sentido que propriamente assistir somente ao primeiro, até porque sabe a pouco e há uma certa sede de regressar ao passado. Para esses, só parece restar a edição de celebração dos vinte e cinco anos em DVD e Blu-Ray.

E anos passaram e naquela sala em Leicester Square, só restavam dois lugares: um deles iria ser ocupado por mim, fila B, lugar 10. O filme começa e afinal não é a versão digital, ora aqui está uma boa ideia penso eu e comenta alguém enquanto mergulha os dedos no pacote gigante de pipocas. Começa então a ouvir-se um riso miudinho, quando ainda o Marty Mcfly aka Michael J. Fox não tinha posto os amplicadores da guitarra eléctrica no máximo e assim que eles estouraram, o riso miudinho transforma-se em gargalhada geral (gargalhadas essas que se soltaram ao longo deste regresso ao passado sempre que se pedia). E assim começa o “Power of Love”.

Ilustração de João Rodrigues.



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