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London Film Festival Guide

Um guia prático para todos os cinéfilos que passem pela capital inglesa na rentrée cinematográfica.

O que se espera de um Festival de Cinema? Serão as novas propostas, as abordagens ousadas e audazes, o conhecer o next big thing da realização? Será de tudo um pouco, mas há, de qualquer forma, um aspecto que parece ser inerente a qualquer festival de cinema: é a distinção do Festival, marcado por um (ou vários) registo(s) que imprimem a qualidade do mesmo e que, por isso, captam a atenção de qualquer cinéfilo.

Em Londres, os Festivais de Cinema deambulam pela cidade: a quantidade de salas disponiveis e a sede dos londrinos por eventos deste genéro ajudam a cimentar a ideia de que um Festival de Cinema nunca será demais nessa cidade. Aliás, é curioso analisar que a própria comunidade, para além de viver este tipo de eventos com muita intensidade, quer fazer parte deles, com um empenho tal, que são raros os festivais que não aceitam voluntários, como membros do staff da organização, para além do enorme apoio financeiro que esses próprios festivais têm das comunidades locais; a recolha de fundos é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento dos mesmos. A título de curiosidade, está neste momento a decorrer uma recolha de fundos no BFI (British Film Institute) para se restaurar os filmes de Alfred Hitchcock.

No rescaldo da silly season, onde os festivais de música foram a grande locomotiva deste Verão cinzento, é tempo de recolher ao casulo, e procurar o refúgio reconfortante da sala de cinema. Em Londres, há também espaço para se desenhar um roteiro cinéfilo-festivaleiro, que nesta rentrée terá obrigatoriamente que passar pelo Portobello Film Festival, pelo BFI London Film Festival e o Festival de Cinema Francês.

O Portobello Film Festival intitula-se como o maior festival de cinema independente do Reino Unido e a marca distintiva deste Festival de Cinema tem que ver com o facto de as entradas para os eventos serem gratuitas. É o cinema independente acessivel a todos, que surgiu em 1996, como forma de reacção ao estado moribundo da indústria cinematográfica britânica. Pretendia-se dar visibilidade aos formatos menos comerciais e aos novos realizadores; o objectivo principal foi cumprido e hoje é neste festival que se podem encontrar as germinações do que depois se vê no mainstream.

Pioneiro na mostra de vários registos, é neste Festival que o cinema se reencontra com o público, já que as exibições passam por pubs, parques, clubs e teatros. Não há meio termo para a organização, que se orgulha do espaço que conquistou, a começar desde logo pela audiência (de cerca de 1.000 pessoas, hoje atingem cerca de 15.000), passando pela quantidade de exibições até à internacionalização do festival (Cannes e Veneza).

Este ano, a organização não irá fazer a coisa por baixo: 600 filmes a decorrer entre 2 a 19 de Setembro, espalhados pelas várias venues em Portobello. Monotomia, é o adjectivo que poucos usariam para descrever este festival…

De Portobello, o roteiro segue para Leicester Square e West End, porque em Outubro chega o maior acontecimento do ano, em termos cinematográficos, do Reino Unido, com olhares muito atentos do resto do mundo cinéfilo. O BFI London Film Festival é aquele Festival onde tudo acontece; parece que neste acontecimento só fica de fora quem quer, ou quem não pode. O mainstream é misturado com o experimental e o novo cinema britânico convive de mãos dadas com o cinema de animação. Nada é por acaso neste certame, que cada vez mais marca a agenda must see do ano seguinte e que, ao mesmo tempo, é cobiçado pelas produções alternativas, como mostra de garantia de qualidade.

O BFI London Film Festival chega a 13 de Outubro, com a estreia europeia de “Never let me go”, de Mark Romanek, adaptado para o cinema por Alex Garland. E vai fechar, também com a estreia europeia, do novo e aguardado filme de Danny Boyle “127 hours”, numa sensação de dejá vu em repetir a mesma receita da edição 2008, quando a organização do Festival decide brindar o público europeu com “Slumdog Millionaire”.

Do sumptuoso BFI London Film Festival, Londres passa para a anual fête do Cinema Francófono. Um pouco à semelhança do que se passa por toda a Europa, o cinema francês também aqui tem a sua celebração. A  sofisticação da língua francesa chega ao mercado londrino nas secções Panorama, Descoberta, Documentário e Preview onde, para além de ser possível ter debaixo de olho o que de melhor tem o cinema francófono, há espaço para as já usuais revisitações. O ano passado foi lançado “Um Profeta” de Jacques Audiard, este ano aguardam-se ainda as surpresas do que se pode ver entre Novembro e Dezembro, no Ciné Lumière, em Londres.

Haverá certamente muito mais para ver, neste pop up de sensações cinéfilas (há por exemplo o Festival de Cinema Espanhol, entre 24 de Setembro a 7 de Outubro, cujo destaque vai para a actriz Maribel Verdú, que entrou em “E a tua mãe também”, de Alfonso Cuarón, e mais recentemente podemos vê-la em “Tetro”, de Francis Ford Coppola), sem esquecer que existem também as salas de cinema de culto que costumam incluir na sua programação sessões especiais e temáticas, das quais se destaca o “Prince Charles Cinema”, na cidade onde tudo acontece e que cada vez mais se destaca pela reinvenção dos conceitos.



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