Baths | “Ocean Death”

Baths | “Ocean Death”

Will Wieselfeld não quis deixar pontas soltas antes de dar início a um novo ciclo

O primeiro mérito que reconheço a “Ocean Death”, de Baths (Will Wiesenfeld) foi convencer-me a dar uma nova oportunidade a “Obsidian”, seu antecessor. Admito que quando escutei “Obsidian”, pela altura do seu lançamento, não me deslumbrou particularmente. Não sei dizer porquê sinceramente. Talvez o estado de espírito não fosse o ideal na altura. Depois surgiu este “Ocean Death” que é como um virar de página, um capítulo final. Ora, não faz muito sentido ler o último capítulo sem saber o que veio antes e nos levou até ali. “Obsidian” revelou-se finalmente; à segunda é certo, mas mais vale tarde que nunca.

Em “Obsidian”, transformação e a morte estão no centro de tudo, em grande parte devido à doença (E-Coli) que afectou Will durante algum tempo e o impediu de começar a trabalhar no álbum. “Ocean Death” continua onde “Obsidian” ficou. A ideia da morte continua a pairar. Sente-se solidão e apatia. Não são os melhores sentimentos aqueles que Wiesenfeld partilha connosco mas são honestos.

Assim que carregamos no play e começamos a escutar «Ocean Death», ouvimos o mar lá ao fundo. Em «Earth Death», já bem perto do final de “Obsidian”, ouvimos a terra. É aqui que se marca de forma clara a transição do álbum para o EP. Sente-se uma tensão a pulsar ao longo da canção que apenas alivia quando a voz de Will Wieselfeld surge (é uma característica muito própria das suas canções). Depois há uma paragem abrupta bem a meio como que para nos mostrar que nada é garantido.

«Fade White» é sobre esquecer o passado e começar de novo com alguém. O baixo confere-lhe um registo orgânico, algo que acompanha Wieselfeld desde “Obsidian”. As letras são curtas mas não é por isso que as palavras encerram em si uma carga emocional menor. A verdade é que os versos perfeitos não têm de ter muitas palavras; basta que tenham as certas.

Todos já passámos por aquelas situações em que optámos por ficar quietinhos no nosso canto, à espera que algo ou alguém aconteça enquanto nos insultamos a nós mesmos na nossa cabeça. É essa a premissa de «Voyeur»: “I’m a bit of a mope / I’m always in the wake of the hope that / You might just sit and talk a bit”. «Orator» é um desabafo, uma confissão que impressiona pela forma como surge “disfarçada” por entre uma batida suave. “Every old person goes to hell / And I / I don’t love you”. Não há muito mais a acrescentar. Finalmente chegamos a «Yawn», que encerra o EP com uma ponta de ironia (“I think about our love / And it’s lack of meaning”) e leva-nos a relembrar um pouco o rendilhado sonoro que pauta “Celrulean”.

Um EP deixa muitas vezes dúvidas no ar mas não é esse o caso de “Ocean Death”, que marca claramente um final de ciclo. Will Wieselfeld não quis deixar pontas soltas antes de dar início a um novo ciclo e, nesse sentido, “Ocean Death” cumpre muito bem o seu propósito.



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