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Bunnyranch

Em discurso directo acerca do recente "If You Missed The Last Train".

“If You Missed The Last Train” é o mais recente longa-duração do quarteto de Coimbra Bunnyranch.

Parece que foi ontem que a locomotiva rock que marcou, especialmente com este último, a sua derivação sonora por carruagens diferenciadas – que vão da blues à soul, passando pela pop, o garage e até punk – fazendo-as coabitar sob as rodas do mesmo veículo se nos apresentou. Mas, na realidade, entre EPs e longas-durações, este é o sexto trabalho do grupo.

Avivando a memória dos que lhes nutrem carinho e especial atenção, do percurso contam-se o EP “Too Flop To Boogie” (2002), “Trying To Lose” (2004), o aclamado “Luna Dance” (2006), que os catapultou, a passos largos, no panorama do underground nacional, os “Teach Us Lord… How Wait Teach Us Lord” e “How To Wait” (de 2008) e o novíssimo “If You Missed The Last Train” (2010).

Com a saída de Filipe Costa (órgão e piano) e André Ferrão (guitarra), a banda conta agora com nova frescura, trazida pelos gostos particulares de novos elementos, que poderão justificar o entrosamento, ainda mais premente, de (também novas) referências tal como as sentimos no recente trabalho.

Da actual formação fazem parte Kaló (voz e bateria), João Cardoso (órgão,piano e coros), Augusto Cardoso (guitarra) e Pedro Calhau (baixo).

Na semana de lançamento de “If You Missed The Last Train” foi com o baixista da banda conimbricense que a RDB esteve à conversa.

Em qualquer disco é interessante depreender a(s) história(s) ou temas que geminam ou estiveram na origem do produto final, tal como nos é dado a conhecer. Foi na tentativa de explicação do combustível que faz andar a locomotiva que Pedro Calhau desvendou um pouco da essência do trabalho.

“Acho que não queremos criar um universo específico com uma base fortemente literária ou cinematográfica. As histórias que inspiram o disco são principalmente do nosso quotidiano, e tratam de sentimentos básicos como o amor, ódio, revolta, paixão, medos…”, conta.

Gravado na serra de Monchique com a ajuda de Boz Boorer, “If You Missed The Last Train” teve na sua concepção trabalho e entrega totais, “foi muito intenso e algo extenuante, visto que gravámos e misturámos todo o disco em nove dias num bonito espaço perdido de Monchique (Sierra Vista Studios de Boz Boorer) e em que a seguir a um longo dia de trabalho ainda arranjávamos forças para festas até às tantas conduzidas pelo próprio Boz” recorda PC. “Ele nunca assumiu o papel clássico de produtor, não alterou a estrutura de nenhuma música nem fez grandes sugestões de sonoridades ou ambientes, mas participou em todas as músicas (guitarra acústica, saxofone, coros, etc) e fez um trabalho excelente de captação e mistura”, fundamenta.

Relativamente à edição do disco, Pedro explica que “ficou a cargo duma editora independente de Coimbra chamada ARTEZ e que para já está a fazer um excelente trabalho. Melhor que as ditas majors”, lisonjeia.

Quando confrontado com a mudança de perspectiva de banda (alargamento do modelo referencial que se sente neste último), tal como a conhecemos numa fase inicial, o baixista é claro. “Sim. Com a entrada do novo guitarrista (Augusto Cardoso) é natural que muitas coisas mudem, desde a fase de composição até à fase da mistura do disco, passando pelas actuações ao vivo. São novas perspectivas e influências que chegam à banda, mas dando sempre uma continuidade coerente ao som que já fazíamos”.

A imagética sonora que norteia a sonoridade BunnyRanch assume, como referido anteriormente, maior amplitude. A crescente maturidade do grupo também se sente nas actuações ao vivo. Pedro Calhau reforça o pensamento iniciado lá atrás, “acho que aproveitámos as novas expressões e gostos do novo músico, tal como uma maturidade de banda natural, que se vai ganhando com o tempo, mas sem nunca perder o que sempre inspirou e alimentou o nosso percurso”.

As aspirações para o novo álbum são as que habitualmente se impõem e o músico reforça-as naturalmente, “o desejo de, sempre, levar a nossa música o mais longe e ao maior número de pessoas possível. Dentro e fora de Portugal, claro”.

Por agora, o feedback tem sido satisfatório. “Temos tido algum feedback das pessoas como era de esperar, alguns dias com mais visitas que outros (referindo-se ao site myspace). Nada de surpreendente, mas algo positivo” informa.

A pergunta parecerá patética, mas a ideia geral da música de/para eternos adolescentes, pressupõe a questão, ainda que retórica. Como se mencionado por aqueles que contribuem para a negação dessas ideias, mantendo a chama viva, ganhasse um outro sentido. Será, então, o rock´n´roll um estado de alma, persistência ou carolice? Continua bem e recomenda-se?

“Para mim sempre se recomendou, mas concordo que necessita de alguma perseverança, até porque me parece que o mercado se tem vindo a afastar gradualmente do rock’n’roll e a seguir algo mais relacionado com a música tradicional portuguesa. Mas não vai ser isso que nos vai parar” avisa o músico.



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