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Casa & Jardim

Como lidar com a ideia de que não estamos todos a caminhar na mesma direcção?

O projecto Casa & Jardim começou com o entusiasmo da (quase) homónima peça de Alan Ayckbourn, cuja acção se passava em dois teatros distintos, embora ao mesmo tempo. Neste caso, Jorge Andrade quis um princípio mecânico semelhante, mas que permitisse ao público assistir aos dois momentos de seguida.

Um apartamento rés-do-chão e um jardim comunitário, talvez de um qualquer condomínio privado. Estes são os dois palcos da acção. Por entre os mesmos passeiam oito mulheres, sete envolvidas numa celebração e uma oitava vizinha, algo incomodada com a festa. A narrativa é influenciada por acontecimentos actuais, como os protestos vividos nos últimos tempos, a crise económica e as diferenças sociais. As personagens discutem tudo isto entre si, mas criam também uma ligação com o público, fazendo cair a quarta parede e misturando a ficção com a realidade.

A quebra entre casa e Jardim funciona com uma barreira, dando a cada ambiente uma dinâmica e um sentido diferentes. O Jardim torna-se mais frio, onde as acções são mais reticentes e há um sentimento de dúvida constante. A Casa é mais acolhedora, mais quente, com uma maior profusão de emoções e a ligação entre personagens se torna mais palpável. A atmosfera da casa acaba por se tornar mais envolvente, e há uma maior percepção de toda a acção.

A forma como o espectador vê a peça, começando ou pela Casa ou pelo Jardim, acaba por trazer diferenças subtis mas importantes, o que faz com a sua experiência nunca seja igual. O facto de haver uma pausa, uma mudança de cenário, pode cortar um pouco a imersão do público no espectáculo, mas esta mecânica também traz uma influência voyeurista, que aumenta o interesse pela narrativa e a expectativa pela clarificação de todos os porquês que se vão criando na sua mente.

As personagens, que partilham os nomes com as suas intérpretes, trazem energias diferentes à peça. São essas energias que contribuem para atmosferas distintas entre um e outro palco. Enquanto na Casa há uma maior familiaridade, no Jardim há uma sensação de antagonismo e de radicalidade. A contraposição de ambas as situações resulta numa fragmentação que vai de encontro à narrativa, e permite uma melhor compreensão das vontades e consciências de cada uma das mulheres em palco.

12,13,14,16,17 de Janeiro – 21h
15 de Janeiro – 16h
CCB – Pequeno Auditório – Sala Eduardo Prado Coelho
1h30min c/ intervalo
Co-Produção CCB/Mala Voadora



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