Universos paralelos | TNDM II

Universos Paralelos

Tudo pode ser tudo sem ser absolutamente nada…ou pelo menos, possuirmos a sensação momentânea do que pode ser, e nem sequer existir.

Num primeiro impacto, o nome da peça leva-nos para um local do nosso imaginário onde por exemplo podemos inadvertidamente e de imediato pensar em duas linhas paralelas…que na realidade podem ser dois gigantescos universos – fictícios ou não – podendo possuir todas as formas, sob todos os aspectos e onde tudo ou quase tudo pode acontecer.

Universos Paralelos com texto e direcção de Jorge Andrade, é uma produção da Mala Voadora e estreou no dia 26 Fevereiro. Estará em cena até dia 6 Março, na Sala Garret do Teatro Nacional D. Maria II. Tem a colaboração de Bernardo Vaz de Castro, apoio de Elisabete Paiva e, conta com os actores, David Pereira Bastos, Filipa Correia, Marco Paiva, Marta Correia e (no vídeo) Álvaro Correia, Ana Valentim, António Pedrosa, Joana Costa Santos, João Vicente, Jorge Andrade, Manuel Moreira, Maria Ana Filipe, Maria João Falcão, Mário Coelho, Marta Simões, Mónica Garnel, Pedro Caeiro, Tânia Alves, e Vitor d’Andrade, entre outros. O vídeo é da responsabilidade de Jorge Jácome e Marta Simões; cenografia e figurinos de José Capela; desenho de luz e som e, direcção técnica de Pedro Lima. A coprodução é do Teatro Municipal do Porto, TNDM II e Materiais Diversos.

Tudo começa com três seguranças numa sala de vigilância de uma empresa, onde no primeiro minuto, quase tudo parece simples, controlado, linear e monótono. No entanto, é nesse mesmo minuto aparentemente controlado que tudo começa a correr mal e onde se desenrola uma dinâmica confusa e preocupante entre todos os intervenientes, desde os seguranças inicialmente muito seguros da sua existência naquele cargo, até aos directores da empresa que rápidamente transitam de, e para diferentes “universos”, subsistindo permanentemente a dúvida da existência e veracidade do projecto e programa criados pela empresa, em prol de experiências que permitam fazer existir e criar num futuro próximo um “novo mundo” robótico e real – ou não – onde já nem sequer sejam necessários os ditos seguranças e homónimos vigilantes da humanidade.

Universos Paralelos é a simbiose perfeita entre um espectáculo de teatro e de video, onde acreditamos e ambiguamente duvidamos de tudo o que nos é apresentado – os humanos parecem robots com um programa avariado e, supostos robots parecem humanos desorientados e elouquecidos. Dentro de uma comicidade, também ela vigiada e controlada, este espectáculo faz-nos pensar num futuro próximo, imaginado embora ainda desconhecido, ao ponto de desejarmos estagnar um pouco, sem nos importarmos muito em “viver e evoluir na velocidade máxima”. Faz também com que pensemos de uma forma mais humana e até egoísta, digamos, ao invés de confiarmos as nossas vidas inteiramente à robótica. Talvez ainda consigamos ver benefícios no facto de podermos naturalmente confiar nas tarefas, funções e responsabilidades em cadeia de cada elemento activo da sociedade, tal como a conhecemos. Afinal, dependemos todos uns dos outros…! Ou não…?! “Pois…!”

Numa conversa informal com Jorge Andrade, ficámos a saber da sua complexa relação com as “fórmulas Físicas e Quânticas”, bem como de todas as interrogações que o assolaram nesse percurso. Daí advém a observação pormenorizada de comportamentos diversos, o que origina a conjugação escrita de todas essas dúvidas e possibilidades infinitas. A peça está também dirigida às novas gerações – de um passado muito recente e de um futuro ainda mais próximo – uma vez que cada vez mais se encontram focados no seu próprio mundo onde na verdade tudo pode ser irreal. Por este facto e seguindo esta linha de pensamento, Jorge Andrade, atreveu-se a colocar nesta peça a originalidade de poder inventar e criar um novo e “grandioso Engenheiro da Humanidade” como se de um “novo Deus” se tratasse. Tudo o resto, ficará confinado ao imaginário do universo dentro de cada um de nós.



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