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dEUS @ Aula Magna Lisboa

Eles estarão, eternamente, no meio de nós.

Depois da aparição na última edição do Festival Sudoeste TMN 2011, cuja participação passou um pouco despercebida, a banda belga liderada por Tom Barman regressou a Portugal no passado Sábado, 4 de Fevereiro, para um espectáculo carregado de fulgor e que não deixou ninguém desiludido.

Mas o colectivo não veio sozinho. Foi perante uma Aula Magna completamente lotada que os Hong Kong Dong se apresentaram pela primeira vez em solo nacional. Boris e Sarah Zeebroek são o duo que corporizam as músicas, juntando-se a eles mais dois elementos – Geoffrey Burton e Lennert Jacobs. Recentemente lançaram o seu primeiro EP, que tem feito sucesso um pouco por toda a parte, e originalidade é algo que não parece faltar, ou pelo menos conseguem captar a nossa atenção. O grupo adicionou às suas canções de cariz pop europeu o sabor da electrónica em acordes de música tradicional chinesa, tal como a conhecemos. Os Hong Kong Dong levaram-nos até à China através de «Flowers» e do single «Lesbians are a boys best friends», canção que “fala sobre um homem fascinado pelo amor, mas ao mesmo tempo frustado”! Ao longo dos 30 minutos de apresentação, o grupo mostrou-se bastante à-vontade e, por momentos, parecia que estávamos perante um apresentador de televisão quando «On Sunny Day» é interpretada e coreografada mimeticamente por alguns membros da plateia. Foi uma boa escolha, graças a dEUS.

Cada regresso de Tom Barman e os seus apóstolos ao nosso país é sempre marcante e desta vez não foi excepção. É certo que os mais recentes álbuns do grupo não tiveram tanto impacto, como por exemplo, “In a Bar, Under the Sea” ou “Pocket Revolution”, mas quem não gosta de revisitar velhos clássicos? Quem não gosta de passar um óptimo serão, mesmo quando na rua o frio oriundo da frente polar vinda do Árctico nos faz tremer os dentes? Mesmo assim, “Keep You Close” conseguiu reunir todos os fãs e deixá-los com um brilho nos olhos.

«The Final Blast» e «The Architest» deram início ao concerto sob uma chuva de aplausos. A performance de Tom Barman continua a conseguir arrancar suspiros da plateia, mas também gritos electrizantes que fizeram arrepiar. “Muito obrigado” repetia o vocalista num português quase perfeito. Após «Constant Now» e «Oh Your God», canções que pertencem ao último álbum de originais lançado em 2011, é «Easy» que faz com que toda a plateia permaneça de pé, e a verdadeira empatia existente entre os músicos é literalmente visível. Todos sentem a música a circular dentro de si e desenham com movimentos esse mesmo sentimento. Mas é em «Instant Street» que o público entra num perfeito êxtase com os riffs de guitarra que não emitem palavras, mas uma enorme emoção e faz com que todos se entreguem totalmente ao concerto.

O público não se faz de difícil e naquela altura já todos estavam rendidos com o êxito «If You Don’t Get What You Need», mas mesmo assim não corresponderam ao apelo de Tom Barman, que convidou os casais (sem discriminar qualquer género) a subir ao palco. Mas ninguém se juntou a ele enquanto cantava «Nothing Really Ends».

Para o fim do concerto, Tom Barman desfila com cigarro na mão e poses provocantes (e igualmente sexy, pensarão as mulheres) para concluir em beleza com «Sister Dew» e «Bad Timing», esta última do álbum “Pocket Revolution”.

Ninguém queria arredar pé e abandonar a sala sem ouvir mais algumas músicas. A boa energia transmitida pelo colectivo permanecia vibrante dentro da sala e depressa apareceram para um encore que foi igualmente apreciado. Quatro canções, quatro maravilhosas músicas, iniciando com «The End of Romance» e terminando com «Suds & Soda» onde o violino electriza e pulveriza uma óptima combinação entre o clássico e o rock e que cada vez mais é um instrumento adoptado por esse universo.

Podem não ter o efeito de fantástico que outrora transmitiam, mas dEUS continuará a ser sempre apreciado por todos.

Fotografia por Graziela Costa. Reportagem fotográfica disponível aqui.



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