rdb_dior_header

Dior

Desde a alta-costura delirante de John Galliano até à aproximação de Kris Van Assche para a linha Dior Homme, a marca francesa continua a dar cartas nos seus segmentos e em toda a cultura de moda.

O homem que inventou uma das marcas mais poderosas da indústria da moda, Christian Dior, é o criador mais importante do período a seguir à Segunda Guerra Mundial e passa, nessa altura, a ser referência total para vestir as mulheres dos dois lados do atlântico. A partir da sua estreia em nome próprio, em 1947, Dior alcança popularidade e um ror de críticas ao mesmo tempo. A austeridade que impera no pós-guerra ganha repercussão visual através do New Look. O francês que viria a morrer apenas dez anos depois – para dar lugar ao jovem Yves Saint Laurent no comando das operações -, criou um império de artigos de moda de alta qualidade que já não teria volta até aos dias de hoje. Produtos de beleza, maquilhagem e fragrâncias, roupa de homem e senhora, alta-costura e todo um ideal de vida em forma de bens de consumo. O aroma de Miss Dior, lançado ao mesmo tempo inaugura uma história no mundo da perfumaria que hoje continua a ser um passaporte de acesso ao universo Dior.

Este New Look veio trazer de volta formas fortemente escultóricas e mesmo reminiscentes de artes como a arquitectura, Christian Dior foi ele próprio dono de uma galeria de arte que montou e manteve com dinheiro de família, mas que foi obrigado a fechar na sequência da Depressão. As suas colecções tinham nomes que teriam, por vezes, a ver com a botânica – um tema muito querido de Victoire de Castellane, a actual designer e mentora da Dior Jewelry. A primeira colecção de Dior em 1947, chamou-se “Corolle”, em referência ao conjunto de pétalas numa flor (alusão ao papel decorativo das flores nos ambientes, ou um contraste com a sua obsessão por estruturas rígidas na construção das peças de roupa?)

O nome Dior ganha um novo fôlego pela mão do britânico John Galliano em meados dos anos 90, quando foi apontado como novo director criativo da casa parisiense, recuperando o interesse na alta-costura por parte de consumidores de moda e imprensa. A herança de Christian Dior e o seu papel durante o séc. XX tornam-se outra vez relevantes. A primeira colecção de Galliano para a Dior, a 20 de Janeiro de 1997 é precursora de um maximalismo que só muitos anos depois ganha fulgor no mainstream e nas têndencias globais de marcas de difusão ou pronto-a-vestir com targets de grande escala. A sua interpretação do look Dior – cortes em viés, cinturas apertadas, dramatismo e uma forte angulosidade, a super produção imaculada do visual – é um marco na revitalização da marca francesa.

A revolução do estilo Dior está presente também na roupa de homem. Dior Homme, a continuidade de Monsieur Dior, está nas mãos do belga Kris Van Assche desde a primavera de 2008, tendo antes passado pela direcção criativa de Hedi Slimane que colocou logo a etiqueta no mais alto patamar do mundo da moda masculina. Os cortes skinny, justos em todas as peças de homem sugeriram nova revolução e uma ironia no ideal Dior. Desde 2001, e em especial a partir da colecção “Luster”, que a marca passou a estar sempre presente em todas as revistas de moda masculina, mais ou menos de vanguarda, tendo trazido uma nova silhueta para os homens do início do séc. XXI: calças, camisas e casacos slim fit, apropriados imediatamente pela cultura electro e pelo novo rock. Em Dior Homme já foram vistos, por exemplo, Brad Pitt, Mick Jagger e David Beckham. Hoje o designer Kris Van Assche volta a reformular a etiqueta, inovando com uma articulação de peças mais fluídas marcando uma nova atitude.

Christian Dior terá dito a propósito das suas linhas mais constrangedoras dos movimentos: “Ninguém pode mudar a moda – uma grande mudança na moda impõe-se a si própria. Foi pelo facto das mulheres quererem parecer mulheres novamente que adoptaram o New Look”.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This