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Wire Art em Krypton!

“Desenhar no Espaço – Biblioteca” de David Oliveira.

Arame, cor de ferrugem manipulado, branco envolvente como de papel se tratasse. Em contexto site-specific, David Oliveira surpreende-nos com o desenho esculpido de uma biblioteca, que atravessa a área fluida e mutável da galeria Krypton Films.

O espaço é explorado visualmente através de uma ténue linha de arame que compõe as duas esculturas (240cmx180cm) de “Desenhar no Espaço – Biblioteca”. Nas prateleiras, os livros pendem, pairam no ar. Uns, caídos no chão, esperam ser tocados, mais do que pelo olhar. A abordagem clássica da perspectiva é questionada na deambulação não dimensional, que, ao ser personalizada pelo visitante, fomenta o amadurecimento do vínculo criado ao primeiro segundo de observação.

David Oliveira nasceu no ano de 1980 em Lisboa. Em 1998 ingressa na Faculdade de Belas Artes onde, em 2008, conclui a licenciatura em Escultura. Em 2009 ganha o 1º Prémio de Escultura Jovens Criadores de Aveiro e em 2010 o prémio revelação D. Fernando II. O seu trabalho reflecte as influências de Elizabeth Berrien e Fritz Panzer, onde permanece o equilíbrio entre o positivo e o negativo, a delicadeza e a robustez das conexões de arame, relevando pormenores minuciosos, que contrastam com áreas inacabadas onde o arame se liberta vitalmente da forma.

Sobre “Desenhar no Espaço – Biblioteca”, e outros devaneios criativos, conversámos com o artista na Krypton Films.

Como surgiu o teu interesse pelo arame como instrumento artístico?

Quando acabei o curso não expus durante um ano, e decidi explorar, trabalhar o arame, pondo de lado as bases, o contexto universitário. Inicialmente, questionei-me se as pessoas iriam pagar por peças de arame. Mas senti, quando expus, a surpresa das pessoas. E percebi que sim.

O título dos teus trabalhos são normalmente representativos. Pretendes inculcar alguma sensação ao visitante?

Prefiro proporcionar total liberdade. Depende muito de cada um. Podem movimentar-se em redor da peça ou não. Podem ler o que nunca pretendi que lessem. Não estabeleço limites. Depende daquele que olha, aquele que anda à volta, a explorar. Eu sou escultor e é nessa abordagem que me relaciono com a peça.

Por exemplo a “Biblioteca” resulta de um trabalho anterior com 3 molduras, onde o visitante pode olhar, com curiosidade. Na Kripton adaptei, e também pode funcionar assim.

Em Portugal há outros artistas que explorem a mesma área, que te interessem ou inspirem?

Na área do arame, não propriamente. A Joana Vasconcelos tem uma linha, uma abordagem definida. Mas tudo o que está à nossa volta são referências. Gosto do trabalho do Rui Chafes, mas ele não trabalha o figurativo. Quando quero inspirar-me, abro um livro do Miguel Ângelo, e aí pode surgir, do desenho para a linha tridimensional.

Como percepcionas o teu trabalho no futuro?

Não sei, com calma. Trabalho com o que surge, como por exemplo, posso colaborar com moda, como aconteceu recentemente, em que tive que criar uma peça para estar exposta numa montra. Gostei da experiência.

Quando és convidado para apresentar as tuas peças, o espaço influencia-te?

É muito importante. As peças mudam de acordo com o espaço, que se adapta. As minhas peças tem essa facilidade de se relacionarem com o espaço. Um cliente pode facilmente integrar as minhas peças em casa.

Para ti, como funciona o processo criativo do wire art?

É doloroso. Nesta peça estive durante um mês a dobrar arame, a fazer livros, e quando já tinha construído as molduras, aí, já pude desenhar no espaço. Há técnicas que tenho vindo a desenvolver, a descobrir. O arame cria ferrugem, mas através de um spray posso escolher onde existe determinada cor, e, onde pode existir alteração com o tempo. Dá-me muito gozo esta fase.

“Desenhar no Espaço – Biblioteca”, de David Oliveira, estará patente, até ao dia 11 de Março, de segunda a sexta-feira, das 9.30h às 13.00h, e das 14.30h às 18.00h, na galeria da produtora Krypton Films, Rua da Junqueira, 354, em Lisboa.

Fotografia de Sofia Ferreira



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