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E3

Na senda da Wii?

O E3, a maior exposição de jogos do Mundo, ocorre todos os anos em Los Angeles. Serve de ponto de partida para toda a comunidade gamer para os grandes lançamentos que vão acontecer até ao fim do ano e quem visita a convenção ainda tem a oportunidade de testar versões beta dos jogos a serem lançados.

No mais recente E3 vimos alguns títulos muito interessantes a serem anunciados – o regresso do Kirby e do Donkey Kong para a Wii, o lançamento do MMORPG Final Fantasy XIV para a PS3 ou as imagens do Fable 3 para a XBOX360. Mas o que vamos focar agora é noutros anúncio da E3 – as soluções de “move” da Sony e da Microsoft.

Começando pela Microsoft – o Kinect. Com o codename Project Natal, o Kinect tem vindo a criar bastante buzz online pela promessa de revolucionar o meio dos vídeo-jogos. Com apenas uma câmara e sensor de som, detecta os movimentos dos jogadores, permitindo uma experiência à lá Minority Report. Sim, parece altamente sexy. Isto era a promessa da consola. Com a vinda do E3 deste ano a comunidade gamer esperou ver uma demo e lançamentos para esta plataforma que fossem, pelo menos, arrebatadores. A demo do hardware em si foi interessante e funcionou o suficiente para não envergonhar a Microsoft. No entanto, quando se olhou para o line-up de jogos a serem lançados para a mesma, o público cruzou-se com First Person Shooters que nada de novo traziam, para além de jogos de dança e desporto (o que a Wii também lançou no momento de lançamento…). Com um preço estimado de 150 dólares, um line-up fraco e uma data de lançamento previamente adiada, a Microsoft ainda tem algumas pontas a limar se quer que o Kinect seja o próximo grande recordista de vendas nas consolas.

A proposta da Sony chama-se “Move” e é um perfeito dejá vu. Mas limita-se somente ao formato dos comandos e a lógica de utilização igual à Wii. No que se refere a títulos o terreno ainda está muito em aberto – sendo que o grande lançamento será o Sorcery. No pouco tempo que deu para visualizar o motion control da Playstation pouco parece diferente do que a Wii já nos habituou. Será apenas na originalidade da sua utilização no contexto do jogo e, logicamente, na capacidade gráfica da consola, que claramente ultrapassa a Wii. É uma evolução do que a Wii já fez. Com um line-up com o mesmo rigor de originalidade que a Microsoft (sim, voltamos a ver party games e jogos de desporto, à clara excepção do Sorcery) e o preço de lançamento de 100€ (que inclui o Move, a câmara e um jogo), a Sony tem uma aposta agridoce no segmento – parece uma evolução do que já existe mas sem alterações tão significativas que compensem o investimento.

A verdade é que o equilíbrio entre a inovação e a usabilidade é muito complicado de atingir. Como é de esperar no momento de lançamento deste tipo de tecnologias, o line-up de jogos é muito aquém do esperado – é claro que é parcialmente compreensível uma vez que primeiro devem atingir uma determinada quota de compradores da tecnologia de forma a obter um maior envolvimento por parte dos produtores de jogos. No entanto, até a Wii, quando lançada, prometeu o Super Mario Galaxy – um título fortíssimo no meio de todos os títulos medíocres no momento de lançamento.

Aqui temos claramente três posturas diferentes. A Wii tem um patamar por si só – ela definiu o Motion Control. Por muito que os outros que façam frente com as suas propostas, o original é dela e conseguiu um first movers advantage apesar das suas claras falhas – e não acredito que seja por potência de hardware que os outros lhe conseguirão fazer frente. Até porque o mais interessante é que o critério de competição recai sob a usabilidade – um fenómeno que advém do que a tecnologia da Apple já nos habituou e é claramente o ponto de diferenciação que o público procura. A Microsoft apontou para um controlo totalmente inovador – arriscando-se pela sua má fama de entregas sem terem sido 100% testadas e a actual data de lançamento derrapada. A Sony, por sua vez, arriscou menos – aplicou uma fórmula já conhecida a uma consola mais poderosa do que a que mimicou. Peca pela falta de originalidade ou inova por não tentar refazer a roda?

Ainda é cedo para ditar vencedores mas o facto é que estes lançamentos vão atrasar a evolução desmedida das consolas de 4ª Geração – é um facto que as pessoas precisam de novas consolas de 5 em 5 anos para não haver um crash na indústria dos videojogos. Existe a tendência para um aborrecimento natural por parte dos consumidores de videojogos que não é só colmatado por jogos novos – é colmatado por consolas que dão ar fresco ao mercado. Com estes lançamentos os grandes da indústria pretendem quebrar o ciclo e manter as suas consolas vivas durante um tempo ligeiramente mais longo que os predecessores. Mas fica a questão – este aborrecimento natural pela qual os consumidores naturalmente passam surge na sequência da evolução tecnológica demasiado acelerada ou a evolução tecnológica veio como uma solução para um mercado de interesse altamente efémero? Seja como for, jogar já foi bem mais simples do que é hoje em dia.



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