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Fatima

Let’s talk about a girl with “Warm Eyes”

Cada som que ouvimos remete-nos a textos simples e sentidos com diversas interpretações. Esta diversidade permite-nos complementar e formular hipóteses cognitivas.

Parece complicado e desapropriado abordar a música nestes termos? Estaremos a racionalizá-la e a retirar-lhe a componente emocional?

Não me parece!!!

A música é, também, um descodificador de pensamentos.

Agora que estamos a entrar na “silly season” e nos encontramos sempre rodeados de aromas primaveris e ‘hormonais’ é a melhor altura para nos rendermos à modorra com um warm Nu Jazz, soltar as areias e ir ao encontro da soul contemporânea, hip-hop e muitas memórias da Motown.

Fatima é quem nos vai facilitar a relação com essas naturezas. Ouvi-a, pela primeira vez, em “Lil Girl” com Shaquif Husayn. Foi uma surpresa agradável, doce e muito melódica. Na altura não se sabia muito sobre esta sueca com raízes africanas. Mas no início deste ano lança o seu primeiro EP a solo – Mind Travellin – pela Eglo Records,  com o forte apoio de Dâm Funk e Giles Peterson.

Esta sueca de 24 anos é meia senegalesa, meio gambiana e cresceu rodeada de beats africanos. A mãe tinha uma loja em Estocolmo chamada – Boutique Afrique – e importava têxteis e pequenos instrumentos africanos. O contacto com as suas raízes sempre esteve muito presente e este percurso de consciência fertilizou o seu conceito musical levando-a a desenvolver gosto pelo emergente hip-hop, soul, R&B e uma apurada viagem pela Motown do final dos anos 70.

Há 4 anos sai de Söderhamn (Suécia) e aterra em Londres. Depressa se torna a anfitriã mais recente da Soul. Logo surgem várias colaborações com Funkineven “Kleer”; Tettory Bads “Unite”, Shaquif Husayn “Lil Girl” e Floating Points “Perorations Five”.

Não é por acaso que o EP se chama Mind Travellin. Aqui expressa o seu enorme desejo de viajar no tempo, nomeadamente, aos anos 70, para captar a essência de uma viragem da música: partir de uma atmosfera tranquila, onde se revisita e se reinterpreta, em fusão, para uma época onde tudo o que se ouve é completamente novo. O experienciar a explosão de ritmos teria sido sublime. É como se tratasse de um processo catártico, sem o drama.

Em Higher participa-nos essa consciência: “All I wanna do is build a machine with you. I’m talking about a time machine”.

Fatima, considera que os anos 70 foram muito especiais na medida em que surgem os Parliament Funkadelic, James Brown e outros grandes performers da Soul. É importante, para definir pilares e reinventar conceitos, “olhar para trás para andar para a frente”.

Mind Travellin tem apenas 4 faixas: “Soul Glo” e “On the Go” ambas produzidas por Funkineven; “Warm Eyes” em colaboração com Dâm Funk e a já referida “Higher” produzida pelo sueco VeeBeeO.

Ao longo do seu, ainda, curto percurso conhece várias pessoas entre eles Alexander Nut (Eglo Records) e Sam Shepherd (Floating Points) com os quais estabeleceu uma boa amizade; portanto assinar com a Eglo Records foi um passo muito natural juntando-se ao clã. Considera-os família e apesar de terem gostos semelhantes e a mesma linha de visão e acção, nem sempre é fácil. Mas é esse um dos grandes desafios.

Tem liberdade para criar e explora ao máximo toda a multiplicidade e multiculturalidade intrínsecas. Acredita que numa outra editora não teria tanto espaço para desenvolver esta diversidade que tem o EP Mind Travellin.

A física não prevê que haja possibilidade de viajar no tempo mas viajar nas memórias é bem possível quando estas são reproduzidas com outras roupagens.
Mas nada impede que ao lermos uma obra de H.G. Wells, ao som de Fátima nos permita essa mobilidade de tempo e espaço (???) Ou… podemos sempre “get High(er)”



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