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“Fuga Sem Fim”

Quando a fuga se transforma em arte

“Fuga Sem Fim” estreou em Lisboa no passado dia 11 de Janeiro no auditório da Culturgest. A Rua de Baixo assistiu ao evento e falou com Victor Hugo Pontes, responsável pela direcção do projecto.

Um espetáculo forte, emocionante, e que toca a todos de formas muito diferentes. A fuga é um tema que de uma forma ou de outra todos já viveram, observaram ou sentiram.

O coreógrafo revelou-nos alguns detalhes sobre o desenrolar do processo criativo de “Fuga Sem Fim”, o porquê da escolha deste tema e a maneira como o espetáculo se foi enriquecendo, alimentando e crescendo ao longo do tempo. O mote para a construção do espectáculo foi lançado por João Paulo Serafim que, depois de trabalhar com Victor Hugo em “Ensaio” em 2007, sentiu vontade de desenvolver outro projecto em conjunto com o corégrafo.

“Fuga” foi o tema escolhido pelo realizador e Victor considerou uma boa ideia trabalhar o movimento em conjunto com a fotografia e a perspectiva. A fuga fez sentido para Victor, afinal era um tema que ressoava no coreógrafo, sentia-o de certa forma, como parte dele próprio. Em 2008 aconteceram os primeiros encontros entre os dois artistas e começou a recolha e investigação de material. Uma das primeiras ideias era trabalhar sobre a ideia de simulacro, a construção de uma falsa “realidade”.

Depois, a construção propriamente dita durou cerca de dois meses e meio, período em que os artistas, músicos e intérpretes, trabalharam afincadamente de manhã à noite neste espectáculo. Foi um processo aberto, em que todos participaram e fizeram parte da construção da obra final.

“O que é fugir? Para onde fugir?”

Ao Victor interessava “trabalhar questões e não respostas”. Como o próprio revelou, “Fuga Sem Fim” “vive de várias linguagens, e é composto por vários espectáculos juntos, sendo uma dramaturgia que liga vários momentos.”

O responsável pela direcção do projecto partilhou ainda que o espectáculo inspirou-se em vários tipos de fugas como “as fugas individuais, as fugas colectivas, as fugas físicas, as exteriores e as interiores”, que recriam “situações mais ilustrativas e outras mais abstractas”.

Numa época em que cada vez mais os artistas têm de lutar pelos seus próprios meios para fazerem o que os apaixona, a fuga é um tema que está bem presente, vendo tantos jovens artistas a serem obrigados a ir para fora, tentando singrar nas suas carreiras. Parafraseando Victor Hugo Pontes, “a fuga não é opção, acontece quando há algo que nos persegue”.

Um espectáculo que cruza as artes do audiovisual, fotografia, música e movimento, e que esperamos ter o prazer de voltar a ver nos palcos.

Mãe, eu quero ficar sozinho… Mãe, não quero pensar mais… Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora.

José Mário Branco in FMI



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