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Hot Air Balloon | Entrevista

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No último dia do Paredes de Coura, à beira-rio, sob um sol nada acanhado, fizeram-se escutar os Hot Air Balloon. Inibições postas à distância, e um concerto que nos encorajou. A Rua de Baixo esteve à conversa com o Tiago e com a Sarah-Jane, a partir da qual foi possível estabelecer pontes para a compreensão de lugares vulneráveis; por outro lado, lugares esses que são, também, de ‘absorção rítmica’, como fixadores da passagem do tempo. Os Hot Air Balloon marcaram presença feliz nesta edição do Paredes de Coura e nós ficámos muito contentes por poder conversar um bocadinho com eles. Fica o registo.

Rua de Baixo [RDB]: “Come This Far”. O que advém com o alcançar deste lugar literal e figurativo? 
Hot Air Balloon [HAB]:  O nome do disco é um bocado o reflexo da etapa em que estamos da nossa vida. Chegámos a uma altura em que conseguimos olhar para trás e percebemos que já vivemos muita coisa – e esse olhar é melancólico, mas positivo e feliz. Chegámos aqui, com muito já alcançado, com algumas coisas já perdidas. Com este “Come This Far” queríamos reconhecer o significado de olhar para o passado de uma forma positiva. É celebrar o que já vivemos, o lugar onde estamos, as pessoas que somos, apesar de todas as dificuldades, com o bem e com o mal.

RDB: Onde é que este ‘balão de ar quente’ vos vai levar agora? Com o lançamento do álbum em Maio passado, com os concertos que se avizinham…?
HAB: Já estamos a meio da nossa tour de apresentação do disco, temos mais alguns concertos e alguns que hão de vir, só que não temos expectativas, não traçamos muitos objectivos. Nós queríamos lançar o disco, fazer uma edição de autor, e ter alguns concertos, o que vier a seguir será bom… Nós não somos profissionais da música, isto é a nossa terapia, digamos assim; como casal, acima de tudo, não queremos que isto seja o nosso trabalho. Fazer música é o que nos liberta dos estresses do dia-a-dia e da rotina. Vamos indo e vendo, estando disponíveis para o que aparecer, que será bom, de certeza. Para nós, estar aqui (no Paredes de Coura) já é maravilhoso.

RDB: O que conta o “Come This Far”? O que contam os Hot Air Balloon?
HAB: Tanto este disco, como o anterior, a nível da letra, contam um bocadinho o momento que estamos a viver, e achamos que partilhar histórias, de forma a que as pessoas as possam ouvir, faz com que elas se possam identificar de alguma maneira. É uma partilha este disco e a nossa música. Por exemplo, começámos a criação deste disco com a Getting Back to Myself que aparece associada à paternidade e à maternidade, que gerou uma mudança muito grande nas nossas vidas; depois temos outras canções que falam de outras sensações, menos ou mais sorridentes, coisas da vida corrente… é como se nos libertássemos das emoções e as pudéssemos partilhar… gostamos que as pessoas ouçam e que se relacionem com o que dizemos… tentamos ajudarmo-nos para depois ajudar os outros de alguma maneira.

RDB: O vosso encontro tem sido muito criativo, fecundo. Das vossas origens, até se conhecerem e chegados aqui, como é que a vossa união tem sido construída/definida?
HAB: É uma conciliação entre o que nós somos enquanto banda e o que nós somos enquanto casal; mas, acima de tudo, somos um casal. A banda define-nos porque muitas das nossas experiências são através da música, é onde passamos mais tempo apesar de tudo… e depois porque consideramos que qualquer artista pode ser definido pela arte que faz, pela forma como integra e se entrega à mesma, se despe perante a mesma… pela energia que recebemos quando partilhamos as canções… e nós vamos crescendo com isto tudo.

RDB: Quase dez anos separam o primeiro deste segundo álbum. Foram dez anos inspiradores e necessários? Em que sentido?
HAB: Sim, sim. O lançamento do nosso primeiro disco coincidiu mais ou menos com o nascimento do nosso primeiro filho. Passámos a dedicar-nos mais à família. A música passou a acontecer mais em casa. Tínhamos alguns concertos, continuámos a compor, tocávamos para amigos, mas depois da pandemia pensámos que se calhar seria bom fazer um novo disco. Porque, na verdade, todas as transformações que fomos vivendo, tudo na nossa vida nos influencia para escrever e fazer música. Nós hoje aqui (no Paredes de Coura) até estamos a receber tanta energia boa que estamos ainda com mais vontade de fazer música.

RDB: Podem falar-me um pouco da Let’s Forget? Como surgiu?
HAB: Essa música foi composta há dois anos atrás, num Natal que passámos em Portugal. Estávamos os dois chateados, quase sem falar, fomos para estúdio e a música surgiu. Foi a canção mais fácil, aconteceu assim de repente, fizemos as pazes, e quando a gravámos pouca coisa alterámos.

RDB: O que vos salva a cada dia?
HAB: O amor, nós achamos. Temos uma família, estamos bem um com o outro, é uma benção poder fazer música com a pessoa que se ama… e a música também nos salva, ajuda-nos a comunicar, faz-nos vibrar. 

RDB: A capa do álbum. Porta de entrada ou porta de saída?
HAB: É uma paragem. Vamos continuar!



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