Grizzly Bear | “Shields”

Grizzly Bear | “Shields”

"Shields" não deve desiludir os fãs

Quem ouviu Daniel Rossen no EP “Silent Hour / Golden Mile”, editado na passada primavera, percebe que o início de “Shields” é precisamente o culminar dessa jornada solitária – ou não tivessem estado todos os membros da banda separados durante meses antes de regressarem ao estúdio. Aliás, é Rossen que ouvimos em «Sleeping Ute», tema de abertura e primeira amostra do quarto disco de originais dos Grizzly Bear.

E se, com este golpe, os meninos de Brooklyn sugeriam um retorno às origens, a apresentação de «Yet Again» convenceu-nos do seu passo em frente. Mas, falando na mesma língua do quarteto, “the more things change, the more they stay the same”. Neste caso, nada poderia ser um maior elogio: «Speak in Rounds» recorda-nos o brilhante momento do anterior álbum que é «Southern Point», alimentando habilmente a expectativa de um clímax que nunca é atingido; o ritmo valsante de «The Hunt» transporta-nos até à era “Yellow House”, onde a melancólica voz de Ed Droste faz um par irrepreensível com a herança musical da própria família.

É na segunda metade do álbum que se estabelece definitivamente a identidade deste novo registo: longe da explosão polifónica de “Veckatimest”, os Grizzly Bear fazem agora o seu caminho com maior serenidade. E quem tiver receio desta linguagem mais contida pode já limpar as lágrimas: menos é mais, como os rapazes nova-iorquinos provaram recentemente numa aparição na BBC 6 Radio, com uma versão acústica de «Yet Again». Nada disto nos prepara, no entanto, para o fenomenal número de encerramento do álbum: «Sun In Your Eyes» é um épico de sete minutos, com Rossen (mais uma vez) nos comandos vocais e o baixo certeiro de Chris Taylor, que nos faz desejar ardentemente o reencontro ao vivo. É verdade que, ao contrário de “Veckatimest”, aqui será menos óbvio o sucesso comercial reclamado por «Two Weeks». De qualquer forma, esta é uma altura em que o Billboard perde relevância para a tabela de vendas via iTunes e o conceito de single vê-se esvaziado de significado.

Dramas comerciais à parte, “Shields” não deve desiludir os fãs: é coeso, consistente e continua a surpreender a cada audição. Droste, Bear, Rossen e Taylor não perderam o toque.



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This