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Twin Shadow

São cada vez mais raros os casos na música que nos conseguem apanhar completamente desprevenidos e nos deixam completamente desarmados.

São cada vez mais raros os casos na música que nos conseguem apanhar completamente desprevenidos e nos deixam completamente desarmados. Algumas vezes é pela figura da banda ou do artista ou pela história que está por trás. Outras vezes é pelo álbum com que nos presenteiam. Mais raro é quando estes dois aspectos são combinados em doses perfeitas. Twin Shadow cai neste nicho. Porquê? As linhas seguintes tentam explicá-lo ou, pelo menos, aguçar a vossa curiosidade.

Este é o parágrafo das apresentações. É incontornável não o escrever. George Lewis Jr.. Um nome que, por si só, não transparece qualquer ponta de grandeza nem de talento mas convenhamos que os nomes não são o melhor reflexo disso mesmo, não acham?

A grande maioria das narrativas começa pelo princípio. Esta será curta mas não será excepção. George Lewis Jr. nasceu na República Dominicana. Quanto à idade, não se sabe ao certo. Em resposta a uma pergunta da Rolling Stone sobre a sua idade, limitou a sua resposta a um simples “too young to die”. Filho de uma cabeleireira e de um professor, passou a sua infância na Florida, mais precisamente em Venice, na companhia das suas irmãs, uma delas gémea e, de certa forma, inspiração para o nome artístico adoptado: Twin Shadow.

George Lewis Jr. não guarda grandes recordações da sua infância e adolescência. A relação que manteve com as suas irmãs foi das melhores coisas na sua vida até então, se bem que, como acontece com muitos de nós, não deu o devido valor na altura. A música ou qualquer outro tipo de oferta cultural não eram abundantes naquela zona da América, daí que Lewis tenha aprendido a ouvir de tudo e, mais importante ainda, a apreciar tudo. Uma frase como “o meu disco dos Boyz II Men estava ao lado do meu disco de Nirvana” pode soar estranha se dita por outra pessoa mas dita por George Lewis Jr. a.k.a. Twin Shadow ganha sentido. A sua música acaba ser o reflexo de um conjunto variado de influências, o que resulta numa evidente mais-valia na opinião humilde da pessoa que está a escrever estas linhas e, penso que é justo dizê-lo, de muitas mais pessoas, um pouco por todo o lado.

“Forget” foi gravado por quartos de hotel da cidade de Nova Iorque e foi produzido por Chris Taylor, dos Grizzly Bear. O nome do álbum funciona um pouco como um contra-senso, porque pura e simplesmente não é uma obra que passe despercebida ou se esqueça com facilidade. Sim, “Forget” é realmente bom. Não só marca uma excelente estreia para Twin Shadow, como nos põe a pensar naquilo que George Lewis Jr. nos poderá oferecer futuramente. Sim, o potencial de crescimento está lá todo e não pode (nem deve!) ser ignorado.

Já por várias vezes tive oportunidade de escrever sobre como a Internet alterou a maneira como ouvimos música actualmente. Existem aspectos positivos mas também os há negativos e tal não deve ser ignorado. São tantos os álbuns editados todas as semanas que nem todos podem ser bons. Penso que conseguem concordar comigo quando digo que, infelizmente, há muita coisa má por aí. E é por isso que quando aparece alguma coisa realmente boa, que nos diz algo, acabamos por nos agarrar a ela com unhas e dentes. É neste grupo restrito que “Forget” se encontra. Se não estão muito convencidos, proponho que o escutem, que o dissequem. Dissequem-no todo. Do primeiro ao último segundo. Comecem por sentir a música, o cuidado com que cada uma das faixas está construída. Depois passem para as letras. Não vos vão deixar indiferentes. O início, ao som de «Tyrant Dedtroyed» dá o mote para o que se segue. «Tether Beat», «Castles in the Snow» ou «Slow» são todas elas grandes canções.

“Forget” foi editado já perto do final de 2010, porém ainda foi a tempo de integrar muitas das selecções de melhores do ano. Este ano vamos ter hipótese de comprovar ao vivo se as canções de “Forget” soam tão bem como em disco. Será em Maio, dia 25 no Lux e dia 26 em Vila do Conde. Ou muito me engano ou serão dois concertos memoráveis.



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