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Cinema no Bairro

Há muito que se esperavam boas ideias para o velhinho Bairro Alto e o novo Teatro do Bairro vem preencher uma lacuna cultural muito precisa para revitalizar uma das zonas mais típicas de Lisboa.

O Teatro do Bairro surge com um grupo de amigos há muito ligados às artes performativas e isso sente-se mal entramos neste novo espaço que ocupa aquele armazém antigo ao lado do edifício Interpress, na Rua Luz Soriano, palco de outras festas. A simplicidade e elegância do Teatro, que é também um espaço multiusos, é urgente e honesta. Para além dos espectáculos de teatro e sessões de cinema (a cargo da Zero em Comportamento), o espaço foi pensado para albergar outras festas e encontros. O Bairro Alto deixa, aos poucos, de ser conhecido como uma zona suja e deselegante e passa a ser, novamente, um Bairro, um local de encontros e de cultura.

A proposta feita à Zero em Comportamento, que desde as míticas sessões no Cinema 222 não programava regularmente, ocupando-se exclusivamente da organização do IndieLisboa, foi de ocupar os domingos com sessões para adultos e graúdos. De manhã há animação infanto-juvenil e à tarde/noite sessões de curtas-metragens e longas-metragens. A programação é simples e eficaz: é mensal, ou seja, é idêntica para todos os domingos – uma oportunidade para aqueles mais distraídos que deixam tudo para a última.

Cada novo mês uma nova programação, e neste mês Abril há escolhas para todos. A manhã é para as crianças ou para os adultos que ainda gostam de brincar, Indie Júnior ao Domingo vai contar com curtas de animação às 11h30, seguida da exibição do filme “O Bando dos Crocodilos” de Christian Ditter, filme de aventuras para todas as idades. Às 18h30 temos a exibição do filme “O Assaltante”, realizado por Benjamin Heisenberg.

“O Assaltante” é inspirado numa estória verídica, passada nos anos 80 na Áustria. Johann é um eficaz assaltante de bancos e também um corredor exímio. Divide a sua vida entre os assaltos e as maratonas, conseguindo ganhar em ambas as situações. Esta dualidade é protagonizada de forma exímia, realizada no fio da navalha, entre o thriller e o drama mais eficaz. É preciso algum fôlego: a acção é simples mas o coração de “O Assaltante” encerra uma dualidade que não é muito corrente neste tipo de filmes, a simples dicotomia do herói/vilão (que é a base de prácticamente todo o Cinema contemporâneo) é diluída nesta narrativa porque o vilão é também o herói. Oportunidade, para quem ainda não viu, de se apaixonar por este thriller mágico.

Às 21h30 começam as curtas-metragens, filmes de todo o mundo para todos. Oportunidade para viajar sem sair do mesmo lugar.

Os bilhetes para as sessões custam 4,5€. Para quem tiver menos de 25 e mais de 65 anos o bilhete custa 3,5€, e há descontos especiais para famílias (válidos apenas para as sessões IndieJúnior e para grupos de 4 pessoas), a 12€.

Desengane-se quem pensar que este é um espaço do estado ou da autarquia, porque o Teatro do Bairro é um projecto pessoal e transmissível, é de todos e para todos. Há pouca diversividade na oferta cultural da capital e este novo espaço vem ocupar o seu lugar naquele que é um dos mais típicos bairros, oferecendo-o de de volta às pessoas. Boicote ao copo na mão e às enchentes barulhentas, este espaço é o ar que se devia respirar em cada esquina de uma cidade que se quer moderna e contemporânea, sã. Visitem e comentem, vão ver que temos razão.



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