“Inércia” | André Carrilho

“Inércia” | André Carrilho

A inércia faz-lhe bem

Corria o ano de 1989. Em “Impressões Digitais”, tema incluído no muito recomendado “Valsa dos Detectives”, Rui Reininho cantava isto, acompanhado dos seus guardas nacionais republicanos: «Faz-me impressão o trabalho, a inércia faz-me mal».

Para André Carrilho, a inércia é algo intrínseco à criação, que faz com que o corpo se deixe envolver num movimento perpétuo. Nascido em 1974, André tem trabalhado desde 1992 como designer, ilustrador, cartoonista, animador e caricaturista, viajando em redor do planeta em demanda profissional, ao mesmo tempo que vai bebendo shots de inspiração em cada lugar que visita.

“Inércia” | André Carrilho

Inércia” (Abysmo, 2014), diário gráfico que atravessa três continentes, reúne mais de 80 desenhos da autoria de André Carrilho, que fixou com «papel, tintas e dramatismo» alguns dos lugares por onde passou, assumindo o papel de «um nómada a fazer turismo».

São postais ilustrados, feitos presencialmente nos lugares que retratam e aqui mostrados à escala real, em desenhos feitos com canetas, tintas acrílicas, grafite solúvel e aguarelas, onde não há espaço – ou um simples convite – para a manipulação digital fazer das suas.

“Inércia” | André Carrilho

Viajamos ao interior e à metrópole maior de Portugal, pousamos os pés nas areias do Pacífico, reconhecemos em Macau e na India o Portugal que os locais se habituaram a construir como um país quase imaginário – o Portugal sonhado fora de portas.

Acompanhado de pequenos textos, pensamentos que atravessam a existência e apresentam um olhar muito pessoal sobre o mundo tecnológico que nos cerca e oprime, “Inércia” é um diário visual assombroso, que recupera o desenho livre como uma arte da memória, que nestas páginas surge como algo ainda mais intenso que a fotografia. Um dos livros mais bonitos que conheceu a luz da edição este ano, simplesmente formidável.

 

Folhear aqui.



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