“Jogo de vida ou de morte” | Luís Aguilar

“Jogo de vida ou de morte” | Luís Aguilar

Futebol aos quadradinhos

Com a chegada do Mundial de Futebol que se vai jogar no país irmão, chegam às estantes inúmeros livros sobre o desporto rei, muitos deles promovendo um regresso ao passado para contar alguns dos episódios mais marcantes da maior competição disputada entre selecções nacionais.

Depois de “Muito mais do que um jogo“, livro que mostrava o futebol como um poema feito de emoções extremas entre o riso e as lágrimas, chega agora a vez de “Jogo de vida ou de morte” (Vogais, 2014), onde Luís Aguilar nos apresenta os heróis e os vilões que, entre 1930 e 2014, ficaram para a história, uns por razões mais nobres do que outros.

Tal como aconteceu em “Jogada Ilegal“, o autor começa por apontar o dedo – aqui com a ajuda de Romário – à corrupção às altas esferas do futebol, nomeadamente à FIFA, mostrando quem realmente lucra com a organização de um campeonato mundial de futebol. Mas nem só de corrupção e vilanagem se alimenta este livro: viajamos de Salazar a Eusébio, vislumbrando de que forma a PIDE tentou moldar a Pantera Negra a símbolo nacional; ficamos a conhecer a veia pacificadora de Didier Drogba, um exemplo dentro e fora de campo; assistimos ao reescrever do final da Guerra das Malvinas, obra assinada em 1986 por Maradona usando a mão de deus e marcando, depois disso, o golo do século; ouvimos os passos de Matthias Sindelar, que tinha como uma das alcunhas Mozart do Futebol, e que se recusou a jogar pela Alemanha nazi quando o seu país – a Checoslováquia – foi anexado; a triste história de Andrés Escobar, morto por causa de um autogolo; o episódio de Saltillo, revelador da forma primitiva em como o futebol estava organizado em Portugal nos anos 19(80) – e, também, um reflexo da transformação do futebol num negócio.

Com uma linguagem telegráfica – por vezes parecemos estar a escutar um relato de futebol -, assente mais no registo factual do que na vertigem literária, Luis Aguilar deixa-nos a imaginar quem serão os heróis e os vilões da revista de quadradinhos que será escrita sobre o Mundial do Brasil. Aceitam-se apostas.



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