Trading e as Apostas desportivas

Trading e as Apostas desportivas

Tudo sobre a compra e venda de apostas desportivas

Em 2005 quando a Bwin decidiu patrocinar a liga portuguesa de Futebol as apostas desportivas online passaram a ser do conhecimento do público. Num país onde o “totobola” era um dos jogos mais populares, a tentação de ganhar dinheiro “fácil” começou a ter adeptos. Nos anos seguintes assistiu-se à proliferação de casa de apostas um pouco por toda a Europa e as possibilidades de “fazer dinheiro” aumentaram. Para além de apostar em quem vai ganhar começou a ser possível apostar no número de golos, cantos e nos resultados exactos.

Todas estas casas de apostas funcionam da mesma forma: o resultado de um determinado evento (suponhamos o Benfica vs Sporting) tem três possibilidades possíveis – vitória do Benfica, empate ou vitória do Sporting. Cada uma destas possibilidades tem uma odd associada que está relacionada com as probabilidades que uma casa de apostas dá a cada uma das possibilidades. Um apostador poderá apostar na vitória do Benfica a uma odd de 1.6, por exemplo, o que significa que caso aposte 10 euros poderá ganhar 6 euros e recuperar os 10 que apostou (um total de 16 euros). Caso o jogo termine empatado ou o Sporting ganhe o apostador perde os 10 euros.

Em todas estas casas de apostas “tradicionais” o apostador joga sempre “contra a casa”. São apostas denominadas de punter. Contudo existe uma empresa inglesa que optou por desenvolver um outro conceito. A Betfair é uma bolsa de apostas desportivas. Tal como na bolsa de mercados financeiros os utilizadores não apostam contra a casa mas sim contra os outros utilizadores, isto é, utilizando o exemplo em cima, se achar que o Benfica vai ganhar o jogo eu coloco os 10 euros a uma odd de 1.6 mas terá que existir um outro utilizador que acredite que o Benfica não vai ganhar, a essa mesma odd, para as mesmas serem correspondidas. Esta possibilidade de apostar “contra” uma determinada ocorrência é o que diferencia a Betfair das demais casas de aposta e que permite efectuar o trading de apostas.

Sendo o mundo do trading de apostas bastante aliciante, por vezes os mais inexperientes têm a tentação de arriscar mais do que devem após uma boa sucessão de resultados. Antes de começar a apostar e utilizar o dinheiro que tanto custou a ganhar é muito importante conhecer melhor como funciona o trading, todas as noções básicas e algumas tácticas para começar neste mundo das apostas desportivas.

Foi com esse espirito que o trader Gonçalo Roseiro escreveu o livro “Trading e as Apostas desportivas”, onde também são dadas algumas dicas para aqueles que, tendo alguma experiência pretendem amadurecer alguns conceitos e aprender algumas tácticas. O livro também oferece 3 meses de utilização do software Traderline permitindo assim colocar em prática o que se aprende no livro. Trocámos algumas impressões com o Gonçalo sobre este livro e sobre o Trading.

 

Como te iniciaste no mundo das apostas desportivas e em especial no Trading?

Tal como a maioria das pessoas da minha geração fui levado a experimentar o mundo das apostas através da forte publicidade feita pelas Casas de Apostas. O gosto pelo desporto, em especial pelo futebol, e a aparente facilidade em obter lucros neste mundo seduziram-me e acabei por nele entrar.

O Trading surge mais tarde. Depois de algum estudo, de muita persistência e dedicação procurei juntar as minhas duas maiores paixões, o futebol e os mercados financeiros.


O que mais te fascinou neste mundo?

Aquilo que mais me fascinou e continua a fascinar neste mundo é a paixão que desde criança tenho pelo futebol. A possibilidade de rentabilizar esta paixão foi sem dúvida aquilo que mais me motivou a entrar no mundo do trading.

És um trader profissional? Foi dificil tomar essa decisão? o que fazias anteriormente?

Neste momento ainda estou a concluir a minha licenciatura em Gestão, na Faculdade de Economia de Coimbra, daí não ser totalmente correcto dizer que sou um Trader Profissional.

Quais são as principais caracteristicas que um trader deve ter?

Sem dúvida o controlo emocional, apesar de dar grande importância às qualidades técnicas.
Um factor bastante importante é a capacidade de aprendizagem constante, ou seja, ser capaz de maioritariamente tomar as decisões certas no momento certo, mas saber diagnosticar/superar/corrigir as decisões erradas.
É uma pergunta que dá para escrever mais um livro.

No teu livro apenas falas sobre as apostas de futebol. Já experimentaste outros desportos?

No meu livro apenas abordo o futebol pois foi o desporto em que me especializei. Inicialmente experimentei outros desportos, como o ténis e o basquetebol, porém, foi no futebol que sempre obtive melhores resultados.

Provavelmente o Paulo Rebelo é o trader mais conhecido da opinião pública. Ele foi para ti uma inspiração?

Já apostava antes de virem a público as primeiras reportagens sobre o Paulo, mas sem dúvida que foi uma motivação acrescida para mim ver que alguém conseguia ser bem sucedido neste mundo.

Consideras este mundo das apostas um pouco underground e quem o “frequenta” um pouco geek? Será este um requisito?

Não considero que seja um submundo. Talvez já tenha sido.
A cada dia aumenta o número de pessoas interessadas no mundo das apostas, o que traz uma variedade imensa de personalidades e estilos de vida.
Não digo que seja um requisito, mas pode ser uma mais valia, dependendo da intensidade que associarmos ao conceito.

No teu livro explicas muitas técnicas. Ainda utilizas alguma das que explicas ou com o tempo e tamanho da banca tiveste que adaptar o teu trading?

A maioria das pessoas julga que existe o Santo Graal do mundo das apostas. Por outras palavras, acreditam na existência de uma técnica que não apresenta qualquer risco e que os irá tornar milionários. Essa técnica não existe. Existem sim técnicas que juntamente com uma boa gestão de banca, rigoroso controlo emocional e uma elevada capacidade de análise e trabalho se tornam lucrativas.

Algo que utilizo bastante é o Dutching e o Bookmaking, porém o Scalping é a minha ferramenta preferida. Falamos portanto de técnicas que são abordadas no livro, mas que dependem de outros factores para serem lucrativas a longo prazo.

Qual foi o teu melhor green (valor ganho) e o teu maior red (valor perdido)

Sem Resposta – É algo pessoal, que não irei tornar público.

No decorrer do teu percurso pensaste muitas vezes em desistir? Se sim, o que te fez continuar?

Inicialmente sim, quando apenas fazia punting (apostas simples). A primeira vez que carreguei uma casa de apostas perdi todo o meu investimento. Pensei em desistir, mas o bichinho estava lá.

O trading trouxe-me a estabilidade que não tinha no punting, apesar de ter ganho dinheiro com as apostas simples, a consistência foi e continua a ser fundamental para que consiga manter um nível emocional forte e positivo.

Falas tambem no teu livro sobre o controlo emocional mas admitir um RED é por vezes muito complicado. Como lidas com isso?

Encaro os “Reds” com naturalidade pois são a confirmação de que este é um mundo de probabilidades. Pode parecer estranho dizer isto, mas por vezes é bom perder. É fundamental para que o ego não tome conta de nós. Tenho por hábito desvalorizar os reds, uma vez que confio na minha gestão de banca.

Depois deste livro tens algum objectivo ao nível da formação?

Provavelmente irei continuar a apostar na formação. Tenho alguns projectos em mente e felizmente existe vontade para os materializar.

Sendo tu um trader deves ter também uma “pontinha” de punter. Com o Mundial a aproximar-se qual é a tua previsão para o vencedor e para nossa selecção?

Para mim existem 3 favoritos: Alemanha, Espanha e Brasil. Se tivesse de apostar numa delas apostaria na Alemanha.

A selecção Espanhola costuma reflectir aquilo que se passa no Barcelona, uma vez que a base da equipa é a mesma. Como temos visto, desde a saída de Guardiola o Barcelona tem vindo a cair deforma e isso poderá ser decisivo para prever o desfecho da actual campeã do mundo. Estou algo curioso para ver se aquele grupo de jogadores, que já ganhou tudo o que há para ganhar, quer a nível de clubes quer a nível internacional, irá conseguir motivar-se ao ponto de ultrapassar selecções famintas como a Alemanha.

O Brasil é candidato pela sua condição como organizador. É uma boa equipa, mas claramente inferior tacticamente a uma Espanha ou a uma Alemanha.

Vejo Portugal com boas possibilidades de atingir os quartos de final, ou mesmo as meias finais, mais do que isso é pedir de mais a Paulo Bento.

 



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